quinta-feira, 9 de maio de 2013

Charlotte Brontë e sua forte heroína, Jane Eyre


Ontem o post foi sobre Jane Austen, minha escritora favorita, que recebeu elogios de muitos escritores mas não foi muito elogiada pela escritora inglesa Charlotte Brontë. No final do post direi qual foi a opinião de Charlotte a respeito de Jane Austen.


Charlotte Brontë - 1854 (Wikipedia)

Charlotte não viveu na mesma época de Jane; nasceu em 1816, um ano antes da morte de Austen. A Inglaterra já não era a mesma, estava mais industrializada e as mulheres trabalhavam mais fora. Mesmo vivendo em épocas bem diferentes, possuíam muitas coisas em comum. Ambas nasceram em um tempo em que as mulheres tinham poucos direitos. Se não eram casadas, dependiam de seus pais ou irmãos financeiramente. Viveram em um tempo em que mulheres da classe média só podiam trabalhar como governantas ou damas de companhia. Elas desafiaram seu tempo, escreveram, foram publicadas e reconhecidas por seu grande talento. Também foram enviadas para estudar longe de casa (o internato onde Charlotte estudou inspirou o colégio Lowood do livro Jane Eyre)  e, devido a pobreza, tiveram que finalizar sua educação em casa. Entretanto, tiveram  a sorte de nascer em famílias que amavam livros e ambas tiveram a chance de serem educadas por seus pais.

A paixão pela escrita iniciou cedo para as duas. Como jovens escritoras, entreteram suas famílias com peças e histórias escritas por elas mesmas. Charlotte não era a única escritora na família - seu irmão, irmãs e pai também escreviam. Jane Austen e Charlotte Brontë escreveram sobre mulheres fortes e inteligentes, mesmo com as restrições dos períodos Georgiano e Vitoriano, onde o papel reservado para mulher era o doméstico. Morreram jovens, Jane com 41 anos e Charlotte com 38, grávida e apenas 1 ano após ter se casado.


Charlotte Brontë - Vida e obra


Nasceu em Thorton, Yorkshire, Inglaterra em 1816, terceira filha de Patrick Brontë, um clérigo descendente de irlandeses e de Maria Branwell. Em 1820, a família se mudou para Haworth, onde o reverendo Bronte foi curador da igreja local. Quando a Sra. Brontë morreu, devido a um câncer, sua irmã Elizabeth Branwell ajudou a criar as crianças. Em 1824, as quatro meninas mais velhas foram enviadas pelo pai para Cowan Bridge School, um tipo de internato para filhas de clérigos. Nesta escola, que possuía uma disciplina muito rígida, as crianças eram mal alimentadas  e muitas ficavam doentes.

As duas crianças mais velhas acabaram morrendo devido à tuberculose, o que resultou na volta para casa de Charlotte e Emily, salvando suas vidas. Voltando para casa, começaram a escrever histórias juntamente com os irmãos Branwell e Anne. Após terminar sua educação em Roe Head, trabalhou como professora e governanta. Em 1842, viajou com a irmã  Emily para Bruxelas para trabalhar em um internato dirigido por Constantin Héger e sua esposa. Acabou se apaixonando por Héger, mas não foi correspondida.

Em 1846, Charlotte, Emily e Anne publicaram uma coleção de poemas em conjunto utilizando os pseudônimos, Currer, Ellis e Acton Bell. Sobre o motivo de não utilizarem seus próprios nomes, Charlotte disse o seguinte:

"Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que, naquela altura, suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios."

O livro Poems by Currer, Ellis and Acton Bell não foi bem recebido e vendeu apenas duas cópias no ano em que foi publicado. O fracasso não as intimidou e começaram a escrever ficção.





As irmãs Brontë

No período de dois anos, Charlotte perdeu seu irmão e suas duas irmãs. Em 1854, se casou com Arthur Bell Nicholls. Engravidou logo após o casamento e sua saúde, que sempre foi ruim, piorou muito. Morreu em março de 1855, juntamente com o filho que esperava.

Obras:

Juvenilia:

  • The Young Men's Magazine, Number 1 - 3 
  • The Spell
  • The Secret
  • Lily Hart
  • The Foundling
  • The Green Dwarf
  • My Angria and the Angrians
  • Albion and Marina
  • Tales of the Islanders
  • Tales of Angria: 
    • Mina Laury
    • Stancliffe's Hotel
    • The Duke of Zamorna
    • Henry Hastings
    • Caroline Vernon
    • The Roe Head Journal Fragments

Romances:
  • Jane Eyre, publicado em 1847
  • Shirley, publicado em 1849
  • Villette, publicado em 1853
  • The Professor, publicado postumamente em 1857.


Suas obras estão repletas de elementos góticos e românticos: sonhos, visões e encontros dramáticos, e possuem fortes traços autobiográficos. Jane Eyre é a obra onde os elementos de sua vida foram melhor transmutados em um poderoso trabalho de ficção. Sua experiência traumática em Cowell Bridge, seu trabalho como governanta, seu amor por Héger - todas essas experiências ajudaram a dar forma à heroína Jane Eyre.

Capa da primeira edição de Jane Eyre

Jane Eyre conta a história de uma simples governanta que sofre muitas dificuldades na vida e acaba se apaixonando por seu patrão, o Sr. Rochester. O livro recebeu ótimas críticas, pois possuía estilo, conteúdo e uma mensagem de esperança de um futuro melhor. Poucas pessoas acreditavam que havia sido escrito por uma mulher. É um romance feminista por excelência; Jane é uma personagem rebelde em um mundo de mulheres obedientes. É jovem, corajosa e inquieta e reage fortemente quando desacreditada devido à classe social e sexo. 

Eu li Jane Eyre ano passado e gostei muito; recomendo fortemente a leitura. Por outro lado, concordo com o crítico literário G. H. Lewers que, depois da publicação do livro, aconselhou Charlotte Brontë a ser menos melodramática em sua escrita, citando Jane Austen como exemplo e inspiração. A resposta de Charlotte não foi muito educada...ela diz o seguinte sobre "Orgulho e Preconceito":

"Eu não tinha visto Orgulho e Preconceito até eu ter lido sua frase então eu apanhei o livro. E o que eu achei? Um apurado daguerreótipo (fotografia). Um retrato de tipos bem comuns; um jardim muito bem cultivado, cuidadosamente cercado com canteiros de bordas bem delineadas e delicadas flores; mas nenhum vislumbre de uma fisionomia brilhante e vívida, nem um lugar aberto, nenhum ar fresco, nenhum monte azulado, nenhum riacho. Eu dificilmente gostaria de conviver com suas (de Jane) senhoras e cavalheiros, em suas confinadas residências. (...) Você diz que devo familiarizar minha mente com o fato de que "Miss Austen nãé uma poetisa, não tem 'sentimentos'" (você desdenhosamente colocou a palavra entre aspas), "não tem eloquência, nada do entusiasmo arrebatador (próprio) da poesia"; e então você acrescenta, "eu devo apreender a reconhecê-la como uma das maiores artistas, dos grandes pintores da natureza humana e um dos escritores com o mais agradável senso de meios para um fim que se conhece. O último ponto, somente, eu reconhecerei... Miss Austen sendo, como você diz, sem "sentimentos", sem poesia, talvez seja sensata (mais real do que verdadeira), mas ela não pode ser grande." (Retirado do site Jane Austen em Português)


I'm so sorry, Sra. Brontë...mas isso me soa como  uma baita dor de cotovelo...rs



8 comentários:

  1. Gosto de Jane Eyre, mas realmente é bastante melodramático, só perde pro livro da irmã "O morro dos ventos uivantes"... quanto a resposta sobre a Jane Austen, me pareceu muita dor de cotovelo!! E o tempo mostrou que ela estava errada... Jane Austen é grande até hoje!! Nunca achei nenhum outro livro da Charlotte para vender, você já leu algum outro?

    beijos,

    www.leituranossa.com.br

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  2. Oi, Débora!
    Com certeza rolou uma invejinha...rs
    Eu só li Jane Eyre mesmo; em inglês é fácil achar os outros romances dela, como Shirley e Vilette. Não sei se existem ediçōes em português. Obrigada pelo comentário! Bjs

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  3. Eu também gosto de traçar paralelos entre Austen e as Brontë, atualmente Jabe Eyre tem sido minha leitura de cabeceira.

    As Brontë e Austen tem em comum muitas coisas e em especial o fato de terem existido em uma sociedade hierarquizada e desigual na qual a desigualdade era naturalizada e aceita como normal, aliás as 4 autoras estavam muito conscientes dessas relações desiguais entre os sujeitos e não só mulheres e homens... Mas nessa escala de desigualdade Austen estava um degrau acima das Brontë, eram mulheres de educação, formação e visões de mundo bem diferentes.

    Austen nem mesmo enxergava os problemas da pequena infância, de governantas e professoras para quem 30 libras por ano já representava uma melhoria significativa de vida, esse tipo de personagem nem existe nos livros de Austen... Já nas Brontë pessoas assim são protagonistas é como se elas olhassem para o mundo de Elizabeth Bennet de de baixo para cima.

    Eu amo Austen, mas toda vez que leio as Brontë eu tenho a impressão que o texto delas é mais real, apesar de toda a carga dramática... Não é a toa que os intelectuais não simpatizavam muito, acho que para um intelectual como o G. H. Lewers deve ter tido muita graça ler a história de uma órfã que teve que abrir caminho na vida, para ele faz mais sentido as Bennets, Emma, as Dashwood e cia...

    Agora que teve uma pontada de recalque na resposta de Charlotte a teve!!!

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    1. Muito boa sua analise, Pandora! Bjs

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  4. Oooo minha amiga!!! Que bom que voltou a escrever aqui... Fizesse falta!!!
    Então, ando bem interessada nas irmãs Brontë... Mês passado li um romance bem levinho e muito bom chamado Conselhos Amorosos de Emily Brontë... Agora quero ler Miss Brontë, já lesse??? Acho que é a história da Charlote romanceada...
    Gravei Jane Eyre para assistir, mas acho que vou me obrigar a ler o livro ao invés disso...
    Apareça sempre!!!
    Beijãooo flor

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    1. Oi, Alinny! Finalmente voltei! Obrigada por ainda me acompanhar...rs..ainda nao li "Miss Bronte", mas quero muito! Veja o filme (tem varias versoes; a mais nova nao gostei muito nao), mas leia o livro primeiro! Bjs

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    2. Vou ler o livro então!!! Continuarei sempre vindo, amooo esse blog... Beijãoo flor e bem vinda de volta!!!

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  5. Ela é demais, gostaria tanto que tivesse escrito mais hehe

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