quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver

Capa brasileira: Perfeita!

Capas do livro no exterior:




Sinopse:"Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável." (Skoob)

Se eu tivesse feito o Meme Literário esse mês, mudaria o melhor livro que li no ano; com certeza seria "Precisamos falar sobre o Kevin". Talvez poderia dizer que é um dos melhores que li até hoje...esse ano, foi o segundo livro que li que mexeu demais comigo, me desconcertou. O primeiro foi "Tiger, Tiger: A Memoir" da Margaux Fragoso; fiquei tão chocada quando o li que até agora não consegui escrever sobre ele. Mas, ao contrário do "Kevin",  "Tiger" é uma história real, então faz mais sentido ter resultado em tanta angústia...

Mas vamos ao livro...eu fiz a besteira de começar a leitura em uma sexta-feira, um pouco antes do horário de buscar minha filha na escola...final de semana, é muito difícil eu conseguir ler sossegada, sem muitas interrupções. Então, sofri a beça, porque apesar do começo do livro ser meio arrastado, de repente ele nos pega de um jeito que é quase impossível largá-lo. E eu perdi o sono por causa dessa leitura; sobrava um tempinho e eu já ia ler e quando tinha que parar, ficava o tempo todo pensando quando poderia continuar.

 Lendo esse livro, cheguei a conclusão que para uma história mexer conosco, precisa haver empatia com alguma personagem, e foi exatamente o que senti com Eva; pude me colocar no lugar dela, sentir o que estava sentido, solidão, medo, angústia, raiva, tristeza, alguma alegria...Como desde o início  sabemos o que aconteceu, ou seja, o fato de Kevin ter assassinado 11 pessoas no colégio onde estudava, Eva começa o livro contando sobre sua vida após a tragédia e, por meio de cartas para o marido, relembra os fatos anteriores, desde sua infância, como o sofrimento de ter uma mãe que não saía de casa por causa de um trauma, passando pelo seu namoro, casamento, sucesso na carreira e o momento em que decide que precisa ter um filho.

Eva é a mulher dos dias de hoje, com um casamento bem sucedido, super realizada na profissão, que chega naquele ponto da vida quando percebe que algo está faltando; o marido, a sociedade, todos cobram um filho, mas ela tem dúvidas...e mesmo cheia de dúvidas, resolve engravidar, imaginando que tudo seria resolvido com o nascimento do bebê. Ledo engano...quando Kevin nasce, tudo se torna pior. O tão esperado "instinto materno" que ela imaginava que surgiria assim que o seu filho nascesse não surge. Para complicar ainda mais, ele "rejeita" a mãe, não aceitando a amamentação. O menino desde bebê é uma peste, nenhuma babá pára no emprego e Eva é obrigada a abdicar de seu trabalho para se dedicar a ele em tempo integral, pensando que conseguiria criar um elo com seu filho.

Ele apronta todas: não come nada do que ela prepara, não se interessa por nenhuma brincadeira, não demonstra nenhum tipo de afeto, demora séculos para falar e usa fraldas até os seis anos. Falando sério: como essa mãe não leva esse menino em um psiquiatra, meu Deus?? O problema aumenta porque seu marido não vê nada de errado na criança; na presença do pai, o comportamento é completamente diferente. Com isso, cria-se conflitos e mais conflitos entre marido e mulher.

Eu fiquei com muita, muita raiva do Franklin, o pai. Não é possível alguém ser tão tapado, tão influenciável, tão tendencioso! E Eva tambem foi muito burra, porque não colocou uma filmadora e mostrou para ele como o demônio se comportava durante o dia?? (Resposta: se colocasse não haveria livro, né?? rs) Mas o pior ainda estava por vir...Eva deseja ter outro filho, pensando que poderia "acertar" dessa vez...quem em sã consciência teria um bebê em casa tendo um filho totalmente  sem coração, como Kevin em casa, quem?? Eu não, com certeza...mas precisa ter história para o livro e a pobre menina que nasce, Celia, é uma santa, ao contrário do irmão. E é claro que ele apronta com ela, mas isso não posso contar senão estrago a surpresa..

As cartas de Eva para o marido são de cortar o coração...eu só pensava: "Meu Deus, até onde vai o sofrimento dessa mulher; até quando ela irá aguentar?" O pior de tudo, é a culpa que a acompanha por toda parte, a culpa que carrega desde que o filho nasceu, quando  ela descobriu que não seria capaz de amá-lo; a culpa de achar que isso fez seu filho ser um psicopata, a culpa dele ter acabado com a vida de muitas famílias... Eu sempre digo que a mãe será sempre culpada pelo filho ser o que é, seja para o bem, ou para o mal...rs..mas Eva (nome bem escolhido, por sinal...lembra  Eva, a primeira mulher que carregou culpa por toda a vida) carrega toda a culpa do mundo sozinha e isso doeu demais em mim...

Chegando quase no final do livro, imaginei que tudo melhoraria, se é que se pode melhorar algo tendo um filho assassino na cadeia e ainda assim ir visitá-lo, suportar seu descaso e acusações. Mas não, o final é um soco no estômago, eu fiquei meio sem ar quando estava lendo e imagine se consegui dormir aquela noite...

Depois disso tudo, muita gente pode ficar assustada e pensar que é um livro muito pesado, mas eu digo e repito: LEIA, voce não sairá a mesma pessoa depois de ter terminado esse livro, tenho certeza. E leia antes do filme estrear, porque vai saber se não vão estragar tudo. Pelo trailler e pela atriz que escolheram para interpretar Eva (Tilda Swinton, maravilhosa), acho que não...a própria escritora disse que a adaptação ficou maravilhosa. Aqui nos EUA o filme estreia dia 27 de janeiro de 2012 e com certeza estarei lá! Para perder o sono novamente...rs

Poster do filme


Trailler

O livro será relançado aqui nos EUA no dia 27 de dezembro, com nova capa:



14 comentários:

  1. Lia, maravilhoso teu texto!!! Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas fiquei bem curiosa (e com um pouquinho de medo de ler hehe)... Então, depois de uma história mais densa, o que vais ler??
    Estou fazendo a maratona Becky Bloom, espero que tu goste... Beijãooooo

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  2. Já li vários comentários positivos sobre esse livro. Preciso ler logo!

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  3. MEUJESUSDOCÉU!!!!!
    Vou comprar esse livro amanhã!
    Vc é a terceira que indica! Vou me render!
    Ótima resenha!

    Beijinhos!

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  4. Oi, Alinny
    Obrigada pelo elogio; mas não dá medo não, pode ler! Tenho milhões para ler, não sei qual vou escolher ainda! Bjs

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  5. Oi, Michelle
    Leia, aposto que vai gostar! Bjs

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  6. Oi, Aline
    Compre!! Se renda...rs... Obrigada! Bjs

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  7. Quando decidires o próximo, vem contar aqui hein??? Beijãooooo

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  8. Caramba Lia!!! Fiquei doida pra ler o livro!!!
    Se eu continuar a ler suas resenhas, não vou cumprir minha meta de não comprar livro em 2012!!

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  9. Báh Lia estou seca por este livro, faz maior tempão que quero ler, agora tu reacendeu a vontade... vou caçar um exemplar pra mim.
    estrelinhas coloridas...

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  10. Pode deixar; conto sim, Alinny..bjs

    Oi, Cynthia
    Leia, leia e leia!! Compre em 2011 entao..rs..bjs

    Oi, Mi
    Cace mesmo, eh bom demais! Bjs

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  11. Lia, assisti o filme esta semana e acabei de comentar no meu blog. Passa lá pra dar uma olhada!

    Boa semana, beijos...

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  12. Um dos melhores livros q eu li esse ano... muito bom mesmo

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  13. eu fiz o caminho contrário e vi o filme antes, no festival de cinema do rio. está impecável. aliás, encontrei seu post procurando pela data do lançamento, pois estou contando os dias para vê-lo novamente. tanto o filme quanto o livro (que fui correndo procurar assim que saí do cinema) valeram cada noite de insônia que me proporcionaram.

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  14. eu tinha lido esse sua resenha há um tempo e agora voltei pra comentar que tô lendo o livro. Menina, que livro! Que livro!

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