sábado, 31 de julho de 2010

Desafio Literário: Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden

Tema: Livro adaptado para o cinema
Mês: Julho
Livro: Memórias de uma Gueixa (Memoirs of a Geisha)
Autor: Arthur Golden
Editora: Imago
Número de páginas: 457 páginas

Sinopse:  O livro tem  início numa vila pobre de pescadores, em 1929, onde uma menina de nove anos é tirada de casa e vendida como escrava. Pouco a pouco, vamos acompanhar sua transformação pelas artes da dança e da música, do vestuário e da maquilagem; e a educação para detalhes como a maneira de servir saquê revelando apenas um ponto do lado interno do pulso - armas e mais armas para as batalhas pela atenção dos homens. Mas a Segunda Guerra Mundial força o fechamento das casas de gueixas e Sayuri vê-se forçada a se reinventar em outros termos, em outras paisagens.

O livro é sobre:  as confissões de uma das gueixas mais renomadas do Japão, um  romance fascinante, para ser lido de várias maneiras: como um mergulho na tradicional cultura japonesa, ou um romance sobre a sexualidade, e ainda, como uma descrição minuciosa da alma de uma mulher já apresentada por um homem.

Eu escolhi este livro porque: lembro-me que assisti ao filme muito tempo atrás e achei muito bonito; achei que o livro que o originou seria igualmente belo.

A leitura foi: nada fácil. Comecei a ler no meio do mês e acabei abandonando-o, pois tinha certeza que não conseguiria acabá-lo até o final do desafio; então li o livro reserva. Pensei que seria a primeira vez, desde o início do desafio, que eu não leria o livro escolhido. Mas ontem decidi terminar o livro, mesmo que passasse o dia todo lendo. Felizmente, uma amiga da minha filha veio passar a tarde em casa, elas ficaram jogando Wii e eu consegui terminar o livro. Ufa!!

A história é muito bonita, toda a descrição sobre costumes no Japão e etc...mas acho que são descrições demais, acaba cansando um pouco. São tantas frases poéticas, tantas metáforas...muito além do necessário. E leva mais da metade do livro para a heroína se tornar uma gueixa do sucesso. A partir desse ponto, tudo torna-se menos cansativo e mais interessante.

Muita coisa na história pode nos chocar; é um mundo onde as aparências são mais importantes do que tudo, onde se pode leiloar a virgindade de uma criança, onde as mulheres são treinadas para enfeitiçar os homens mais poderosos e o amor não tem valor algum.

Para nós, ocidentais, é muito difícil entender essas tradições. Tem um trecho muito interessante do livro em que Sayuri  conta que quando mudou para os Estados Unidos, entendeu que o que a palavra "gueixa" significa para a maioria dos ocidentais ("prostituta"). Ela diz que percebeu um tratamento diferente em  festas elegantes, quando era apresentada a jovens com vestidos magníficos e jóias e estas descobriam que ela havia sido uma gueixa. Seu pensamento é: "Bem, muitas vezes imagino por que ela não percebe quanto realmente temos em comum. Ela é uma mulher sustentada, você entende, e antigamente eu também fui." É realmente um outro modo de ver as coisas...

Sobre o autor: Arthur Golden (Chattanooga, Tennessee, 1956) é um escritor norte-americano que formou-se em Harvard em 1978 em História de Arte, especializando-se em arte japonesa. Em 1980 fez um mestrado em Artes (M.A.) dedicado à História japonesa, na Universidade de Columbia, onde também aprendeu mandarim. Depois de um Verão na Universidade de Pequim, foi trabalhar para uma revista em Tóquio. Em 1988 fez um M.A. sobre Inglês na Universidade de Boston.Viveu e trabalhou no Japão, e desde essa altura tem ensinado escrita criativa e literatura na área de Boston. Vive em Brookline, Massachusetts, com a mulher e os filhos.
 
O livro foi adaptado para o cinema em 2005, com um elenco que causou muita polêmica no Japão; Afirmando que não existem atrizes japonesas com bom inglês no mercado, o diretor  Rob Marshall escalou duas chinesas (Zhang e Li) e uma malaia (Yeoh) para interpretar suas gueixas.

Trailler:



quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Menino que Amava Anne Frank - Ellen Feldman

Sinopse

"Em "O Menino que Amava Anne Frank", Peter consegue desembarcar nos Estados Unidos, terra da liberdade para milhões de refugiados judeus. Bem-sucedido nos negócios, casa-se com uma americana e tenta levar uma vida absolutamente normal. Ao longo da década de 1950, quando os EUA experimentam o período de esplendor econômico, Peter começa a prosperar, tecendo planos para um futuro sem sombras do passado. No entanto, as recordações da infância começam a atormentá-lo com a publicação de O diário de Anne Frank, aclamado no mundo todo. Trata-se, Peter percebe, de uma história que também é dele. E uma vez que as lembranças vêm a tona, sua vida, como uma espiral, foge totalmente de controle."
 
Este livro não é uma história real, é um romance de ficção sobre o que teria acontecido a  Peter Van Pells (no livro de Anne Frank é chamado de Peter Van Dann) se ele tivesse sobrevivido. Há uma parte no diário em que ele diz a Anne que quando a guerra acabasse, ele gostaria de ir para os Estados Unidos e iniciar uma nova vida. Na vida real, após passar um tempo em Auschwittz, é obrigado a participar da marcha da morte até o campo de concentraçção de Mauthausen, na Austria, onde, segundo a Cruz Vermelha, foi morto, três dias antes do campo ser libertado por tropas americanas.
 
Já no livro, ele sobrevive e consegue criar uma nova vida nos Estados Unidos. Apesar de ter se casado com uma judia, esconde de todos seu passado; a única coisa que permanece é uma tatuagem em seu braço, com o número de prisioneiro no campo de concentração. O livro começa com Peter indo ao médico, pois havia perdido a voz sem motivo algum, no seu ponto de vista. Então, ele começa a contar sua história e no decorrer dela, descobrimos que o que desencadeou seu problemas foi um livro que sua mulher estava lendo. O livro era "O Diário de Anne Frank".
 
Quando o diário é transformado em peça de teatro e depois em filme sua saúde piora, chegando até a colocar em risco a segurança de seus filhos e o seu casamento. Mas o pior de tudo é que ele continua a esconder seu passado. Que agonia que dá!! Tanto sofrimento que poderia ser menor se compartilhado...
 
Não vou contar mais para não estragar o final, mas digo que é um ótimo livro, sobre as consequências de uma guerra tão terrível na vida de uma pessoa, os traumas que ficam e como é difícil seguir a vida carregando o peso do passado. Recomendadíssimo.
 
Esse livro trouxe uma nova visão sobre o diário, foi muito bom lê-lo. Para terminar o meu "ciclo Anne Frank", gostaria muito de ler o livro "Contos do Esconderijo", que são contos, fábulas, ensaios e uma novela inacabada, que ela escreveu no período que esteve escondida.
 

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desafio Literário: O Ladrão de Raios - Rick Riordan (Livro Reserva)

Tema: Livro adaptado para o cinema
Mês: Julho - Livro reserva
Livro escolhido: O Ladrão de Raios (The Lightning Thief)
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 387 páginas

Sinopse:

Primeiro volume da saga Percy Jackson e Os Olimpianos. O autor conjuga lendas da mitologia grega com aventuras no século XXI. Nelas, os deuses do Olimpo continuam vivos, ainda se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos, como os heróis da Grécia antiga. Marcados pelo destino, eles dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.


O livro é sobre: as aventuras do garoto-problema Percy Jackson, que tem experiências estranhas em que deuses e monstros mitológicos parecem saltar das páginas dos livros direto para a sua vida. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos - jovens heróis modernos - terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão: precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses.

Eu escolhi este livro porque: estava louca para ler essa série, mas resolvi que só leria quando comprasse todos os livros lançados. Comprei o penúltimo semana passada (o último será lançado em agosto) e como a leitura do livro escolhido para esse mês está meio enroscada, li primeiro o reserva.
 
A leitura foi: muito agradável. Um livro muito fácil e rápido de ler, a leitura flui super bem. Já tinha ouvido falar muito sobre ele, mas não imaginei que fosse tão legal...adoro mitologia desde que li Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato. E é bem fiel à mitologia grega, pelo que me lembro.
 
Achei tudo meio parecido com Harry Potter; um menino problemático que descobre ter super poderes, dois amigos, um menino e uma menina que o acompanham nas aventuras, a existência de seres mitológicos e de um mundo pararelo, uma missão a ser cumprida...mas não acho que isso tudo tira o mérito do livro não...dá para se divertir bastante lendo. Depois que terminei o primeiro, li o segundo e o terceiro em dois dias e já estou no quarto. O problema é que vou terminar esse e ter que esperar até o meio de agosto para ler o próximo... Os outros livros são:
 
O Mar de Monstros (The Sea of Monsters)

A Maldição dos Titãs (The Titan’s Curse)

A Batalha do Labirinto (The Battle of the Labyrinth)

O Último Olimpiano (The Last Olympian)



Sobre o autor: Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Por quinze anos,  lecionou inglês e história em escolas do ensino médio dos Estados Unidos. Inspirado pelo interesse do filho por mitologia, criou a série Percy Jackson e Os Olimpianos. Riordan também é autor da saga de mistério para adultos Tres Navarre e de The Maze of Bones, parte da série 39 Clues.


Muito legal o site oficial do livro. Lá podemos encontrar informações sobre todos os livros da série, sobre o escritor, jogos, downloads e muito mais. Para conhecê-lo, clique aqui .  

Quis ver o filme antes de escrever o post...fala sério!! Será que ninguém consegue fazer uma adaptação decente de um livro??? Mudaram quase toda a história...desse jeito, vou desistir de assistir filmes adaptados de livros.  Trailler do filme:
 

terça-feira, 27 de julho de 2010

Anne Frank: A História do Diário que Comoveu o Mundo - Francine Prose


Ela foi uma jovem escritora maravilhosa. Era um assombro para uma menina de 13 anos. Vê-la ganhar domínio sobre as coisas é como assistir a um filme acelerado de um feto que vai ganhando rosto...De repente ela descobre a reflexão, há retratos de pessoas, esboços de personagens, há episódios longos, cheios de acontecimentos, intricados, tão lindamente narrados que parecem ter passado por uma dúzia de rascunhos. E nenhum desejo venenoso de ser interessante ou séria. Ela simplesmente é...Seu ardor, seu espírito - sempre em movimento, sempre começando coisas...ela é como uma irmãzinha apaixonada de Kafka, sua filhinha perdida. (Philiph Roth, Diário de uma ilusão)


Sinopse

O diário que Anne Frank escreveu durante a Segunda Guerra, enquanto se escondia com a família da perseguição nazista, ficou conhecido por gerações de leitores. Mas será que o texto foi a manifestação espontânea de uma adolescente vivendo uma situação especial?

A crítica e ensaísta Francine Prose defende que não - o diário é uma obra de arte, um texto literário pensado e planejado. Os originais comprovam que Anne escreveu pensando em seus futuros leitores, reescrevendo e editando inúmeras passagens. Ela se via como uma escritora - e era de fato talentosa, como se vê por sua habilidosa construção de diálogos e personagens, seu olho para os detalhes, seu domínio do ritmo da narrativa.

Além de fazer uma análise literária da obra, Prose conta a trajetória de Anne e sua família, chamando a atenção para detalhes em geral ignorados. E reflete sobre as discussões e produtos gerados a partir do livro - o Museu Anne Frank, a peça de teatro e o filme realizados a partir do Diário, as teorias que negam a autenticidade da obra, além da adoção do livro em escolas e o uso feito por professores em sala de aula.

Excelente livro para quem quer conhecer mais sobre Anne Frank e sobre o famoso diário. A escritora fez uma pesquisa minusciosa, se debruçando sobre muitas versões e livros escritos sobre o diário, chegando a uma conclusão: ele é uma obra de arte. A habilidade de narrar a história, a capacidade de construir diálogos finos e de criar personagens a partir de pessoas reais apontam para o trabalho de uma escritora talentosa e consciente de seu estilo.
 
Anne possuía uma imensa profundidade para alguém tão jovem e refletiu sobre a natureza humana e suas contraditórias  manifestações, registrando, na visão de uma adolescente, as minúscias e os acontecimentos mais relevantes, o particular e o universal, a vida em um espaço tão confinado e a realidade mais ampla.
 
Neste livro, acompanhamos a trajetória do diário: das críticas que Otto Frank sofreu ao publicar as palavras da filha, aos desafios enfrentados hoje por professores que adotam o livro nas escolas, passando pelas controversas adaptações para o teatro e o cinema. A autora também investiga as teorias conspiratórias que acusam o diário de ser uma fraude, bem como as análises científicas que provam o contrário.
 
Como as anotações do diário terminam em agosto de 1944, ficamos sem saber o que ocorre depois da prisão dos ocupantes do esconderijo. Prose recria os últimos passos deles, até o final trágico nos campos de concentração (exceto Otto Frank, que sobreviveu), reproduzindo entrevistas com as últimas pessoas que conviveram com Anne Frank e seus últimos momentos de vida. Essa parte do livro é muito triste...
 
Através da leitura do livro, tomei conhecimento do único vídeo com a imagem de Anne (ela aparece bem rapidamente em uma janela):
 
 
Encontrei, também no YouTube, o trailler de uma mini série lançada em 2001, Anne Frank: The Whole Story:
 
 
 
 
Achei a atriz bem parecida com Anne, vou procurar ver se acho para assistir. Deve ser bem bonito...só não aguentei a música do trailler (será que está no filme também??)..rs

domingo, 25 de julho de 2010

Releitura - O Diário de Anne Frank


Não quero que minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo após a morte! (Anne Frank)

Sinopse


"12 de junho de 1942 – 1º de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial, ao se esconderem, juntamente com mais quatro pessoas, em um esconderijo conhecido como Anexo Secreto. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. "
 
Quem não conhece a história de Anne Frank?? Se ainda não leu o diário, pelo menos ouviu falar dela. Muita gente diz que abandonou a leitura por achar triste demais, ou que não irá ler porque já sabe do fim triste que ela teve. Quem pensa assim perde uma ótima oportunidade de ler um livro lindo, emocionante; triste sim, mas cheio de esperança e, além disso, saber mais sobre o sofrimento dos judeus contado por alguém que estava vivenciando esse sofrimento.
 
Resolvi reler o Diário por vários motivos; primeiro porque a primeira vez que li, eu era muito nova e lembrava muito pouco da leitura. Segundo, porque comprei o livro Anne Frank- A História do Diário que Comoveu o Mundo, de Francine Prose e achei necessário reler o livro para melhor me situar na história. E, por último, porque percebi que a edição que havia lido anteriormente, era a censurada por Otto Frank, pai de Anne.
 
Anne Frank escreveu um diário entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944. A princípio, guardava-o para si mesma. Até que, certo dia de 1944, um membro do governo holandês no exílio, declarou no rádio que, após a guerra, esperava recolher testemunhos oculares  do sofrimento do povo holandês sob ocupação alemã, como cartas e diários, para colocar à disposição do público. Anne decidiu então, que publicaria um livro a partir de seu diário quando a guerra terminasse. Assim, começou a reescrever e organizar o diário, melhorando o texto, omitindo ou acrescentando passagens e, ao mesmo tempo, continuava a redigir seu diário original. A primeira versão, é  sem cortes e sem a correção de Anne é The Diary of Anne Frank: The Critical Edition; a segunda, é a alterada por ela.
 
Quando a guerra terminou, Otto Frank resolveu realizar o desejo da filha de publicar o diário. Ele selecionou material das duas versões, organizando-os em uma versão mais concisa; esta versão é conhecida por todos como O Diário de Anne Frank. Ele retirou passagens que tratavam da sexualidade de Anne; naquela época não era costume falar tão abertamente sobre sexo, muito menos em livros para jovens. Também retirou várias passagens pouco elogiosas sobre sua mulher e outros moradores do anexo.
 
Quando Otto morreu, uma versão nova e ampliada do Diário foi lançada pela Fundação Anne Frank. A escritora e tradutora Mirjam Pressler acrescentou trechos retirados das duas primeiras versões feitas por Anne à seleção original de Otto. Essa edição contém uns 30% a mais de material e foi essa que li agora. Consegui perceber as diferenças em relação a outra edição que havia lido quando adolescente; Anne fala abertamente sobre seu corpo e sobre sua sexualidade. Também descreve sobre o difícil relacionamento com sua mãe, confessando, em certo momento, ter desistido de tentar amá-la.
 
Quem ainda não leu, leia. É realmente muito bom conhecer mais sobre essa triste época pela voz de Anne.
 
 Depois de ler o livro, fiquei interessada em conhecer mais sobre a Fundação Anne Frank  criada por seu pai e lá encontrei um link bem interessante, o Anexo Secreto em 3D, onde podemos conhecer cada compartimento do esconderijo, como se estivéssemos lá dentro. Fiquei emocionada ao ver o quarto de Anne, com suas fotos de artistas de cinema na parede, seus livros...muito triste...

sábado, 24 de julho de 2010

De Amor e de Amizade - Crônicas para jovens - Clarice Lispector

Sinopse


"Amor e amizade inspiraram Clarice Lispector dezenas de vezes. Prova disso são as quatro dezenas de textos selecionadas pelo editor Pedro Karp Vasquez para a coletânea De amor e amizade – Crônicas para jovens, primeiro de uma coleção que reunirá crônicas, escolhidas por temas, de Clarice Lispector.

Sem prender-se a significados prosaicos, a escritora criou durante anos histórias que remetem a amizades daquelas sem tamanho, a amores para o resto da vida, a relacionamentos baseados na superficialidade e até mesmo ao episódio daquele amor destruído por causa de um bule de bico rachado.
Os textos escolhidos apresentam-se impregnados pela forma incomum com que a escritora transporta para o papel seu jeito de ver o mundo e de lidar com o amor e a amizade. Linha após linha, Clarice conduz seus leitores pela “mistura de observações das miudezas do cotidiano com vastos voos do espírito”, como define o editor no prefácio. Leitores de Clarice Lispector não tem idade, mas desta vez a seleção foi pensada para provocar uma experiência inspiradora em jovens leitores, aqueles que “estão começando a descobrir os mistérios e os prazeres do amor e da amizade”. Histórias fictícias intercalam-se com relatos pessoais, nos quais Clarice parece prestar uma homenagem a amigos queridos.

De amor e de amizade – crônicas para jovens não se restringe, porém, somente àqueles que encontram-se com Clarice pela primeira vez, mas serve também como um “sopro de renovação e reflexão para os leitores mais maduros”, aqueles que há muito já descobriram que a vida não foi feita para ser vivida automaticamente e que tanto a amizade quanto o amor devem ser experimentados até a última gota – “sem nenhum medo”, como ressalta em determinado momento a escritora."

Comprei esse livro com um pouco de desconfiança...achei que fossem crônicas já lançadas em outros livros. Não tenho todos os livros de Clarice, mas não li essas em nenhum que tenho, então para mim todas foram novidade. São textos escritos para sua coluna semanal no Jornal do Brasil, no período de agosto de 1967 a dezembro de 1974. Gostei muito, é muito apropriado para quem está iniciando nas obras dela e também para quem já a conhece há muito tempo, como é o meu caso. Textos que mais gostei: Por não estarem distraídos, Amor, O grito, O suéter, Os grandes amigos.

Alguns trechos:

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de se falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão. (A comunicação muda)

...amor será dar de presenteum ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si. (O presente)

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. (Mas há a vida)

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. (Saudade)




quinta-feira, 22 de julho de 2010

Luiza - Tom Jobim

Hoje é aniversário da minha princesa, o amor da minha vida, minha filha Luisa...está fazendo sete anos. Uma moça..rs.. Depois que minha filha nasceu, pude entender bem essa frase: "A decisão de ter um filho é muito séria. É decidir ter, para sempre, o coração fora do corpo." (E. Stone)

Resolvi postar aqui, o video e a letra da música que amo, e que me fez escolher seu nome (mas como ela sempre diz: Luisa com "s")





"Rua,


Espada nua

Boia no céu imensa e amarela

Tão redonda a lua

Como flutua

Vem navegando o azul do firmamento

E no silêncio lento

Um trovador, cheio de estrelas

Escuta agora a canção que eu fiz

Pra te esquecer Luiza

Eu sou apenas um pobre amador

Apaixonado

Um aprendiz do teu amor

Acorda amor

Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração



Vem cá, Luiza

Me dá tua mão

O teu desejo é sempre o meu desejo

Vem, me exorciza

Dá-me tua boca

E a rosa louca

Vem me dar um beijo

E um raio de sol

Nos teus cabelos

Como um brilhante que partindo a luz

Explode em sete cores

Revelando então os sete mil amores

Que eu guardei somente pra te dar Luiza

Luiza

Luiza"

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Bright Star



Assisti ontem o lindo "Bright Star" - Brilho de uma Paixão, sobre a vida do poeta romântico inglês John Keats. Dirigido por Jane Campion (de O Piano) é uma adaptação do livro Keats, biografia escrita por Andrew Motion. É um ótimo filme para quem curte poesia e filmes mais calmos, sem muita ação mas com belíssima fotografia e lindo figurino. No começo dá um pouco de sono, vou confessar, mas melhora quando o romance engrena..rs

Em 1818, antes de ser considerado um dos mestres do Romantismo, o jovem (vivido por Ben Wishaw) apaixona-se por sua vizinha, a decidida Fanny Brawne (a australiana Abbie Cornish, ótima no papel). O relacionamento não é aprovado pela família de Fanny e nem pelos amigos de Keats, por ele não ter renda suficiente para manter uma família. É tão lindo quando ele começa escrever e declamar poesias para ela...pena que tem um final tão triste, ele morre com 25 anos, de tuberculose, como muitos poetas e escritores morriam na época (Mal do século).

Trailler do filme:


Sobre o poeta:
John Keats estudou para ser farmacêutico, chegando mesmo a se formar. Porém, seu interesse por idiomas (dominava o latim e o francês), por história e mitologia o levou a exercer a literatura. Dedicava todo tempo livre à leitura. Seus primeiros versos não mostravam o grande poeta que se tornaria mas, mesmo contra o conselho de amigos, publicou seus Poemas em 1817.

No ano em que se publica o livro Endymion, Keats encontrou Fanny Brawne, a grande paixão de sua vida. Keats deixa-se consumir pela paixão e dedica-se a ela com intensidade. Passa a escrever de forma ainda mais inspirada e a sua poesia revela mais maturidade e poder. É durante esta fase, que John Keats dedica o soneto “Bright Star” a Fanny.


Teve que separar-se dela em 1820, devido à tuberculose que ele havia contraído. Foi para a Itália, onde morreu poucos meses depois.
 
Fanny se casou, passando a chamar-se Frances Lindon. Os filhos sabiam do seu romance com John Keats, mas Fanny fê-los prometer que nunca diriam nada a ninguém, inclusivamente ao próprio pai. Após a morte deste em 1872, um dos flhos de Fanny resolve publicar as cartas que John Keats escrevera a sua mãe. Em 1878, publica então, “Keats’s love letters to Fanny Brawn”; cartas essas que ficariam na história.

Poucos poetas escreveram obras tão importantes em tão pouco tempo como Keats. O último e maior dos poetas românticos ingleses, exerceria uma profunda influência sobre Tennyson, Robert Browning, pré-rafaelitas e outros. (Retirado da Wikipedia)


Trecho do poema Endymion


O que é belo há de ser eternamente

Uma alegria, e há de seguir presente.

Não morre; onde quer que a vida breve

Nos leve, há de nos dar um sono leve,

Cheio de sonhos e de calmo alento.

Assim, cabe tecer cada momento

Nessa grinalda que nos entretece

À terra, apesar da pouca messe

De nobres naturezas, das agruras,

Das nossas tristes aflições escuras,

Das duras dores. Sim, ainda que rara,

Alguma forma de beleza aclara

As névoas da alma. O sol e a lua estão

Luzindo e há sempre uma árvore onde vão

Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos

De uvas num mundo verde; riachos

Que refrescam, e o bálsamo da aragem

Que ameniza o calor; musgo, folhagem,

Campos, aromas, flores, grãos, sementes,

E a grandeza do fim que aos imponentes

Mortos pensamos recobrir de glória,

E os contos encantados na memória:

Fonte sem fim dessa imortal bebida

Que vem do céus e alenta a nossa vida.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Confie em Mim - Harlan Coben

"Até onde você iria por amor à sua família?"

A vida no subúrbio de Livingston parece perfeita. Ao olhar para aquelas mansões, todos acreditam que as pessoas que vivem ali são plenamente felizes. Mas a verdade é que, como em qualquer lugar do mundo, cada uma daquelas famílias tem a sua tragédia particular.

Mike e Tia Baye, preocupados com seu filho Adam, resolvem invadir a privacidade do garoto e espioná-lo. Betsy Hill sente-se culpada por não ter percebido as mudanças no comportamento de seu filho Spencer e por não ter feito nada que pudesse evitar seu suicídio. Guy Novak cria sozinho Yasmin, e, embora seja um pai extremamente dedicado, não consegue impedir que um infeliz comentário de um professor torne a infância da menina um inferno. Lucas Loriman está gravemente doente e precisa de um transplante de rim, mas sua mãe, Susan, guarda um segredo devastador que pode arruinar a família.

Enquanto acompanhamos as dores, preocupações e angústias de cada um desses personagens, mergulhamos em uma aventura emocionante e cheia de mistérios, em que todas essas histórias, aparentemente independentes, se conectam num final surpreendente e arrebatador.

Em Confie em Mim, Harlan Coben nos faz pensar em como pais desesperados são capazes de ultrapassar os limites na tentativa de proteger os filhos.

Com o perdão do trocadilho...Confie em mim: esse livro é ótimo!! Faço parte de um grupo no Skoob chamado Skoobers do Interior de São Paulo e lá nasceu a ideia do Livro Viajante. Recebemos o livro, lemos e passamos adiante para a próxima pessoa da lista. O primeiro escolhido foi esse. Conhecia-o só de nome, nunca havia me interessado pela história. Bom, peguei o livro ontem à tarde e não consegui largar mais...só larguei quando terminei de ler, às duas da manhã...

Achei o estilo bem parecido com o filme Crash - No Limite, que ganhou o Oscar em 2006. Não é o tema que é parecido, e sim, histórias de pessoas que parecem não ter nada em comum, e no final, tudo se conecta. Assim é esse livro; no começo não parece fazer sentido, mas aos poucos, tudo vai se encaixando até o climax final. Também gostei da abordagem de temas muito atuais, como bullying, superproteção dos pais em relação aos filhos e a polêmica questão de até onde ir na vigilância dos adolescentes.

Como mãe, entendi perfeitamente algumas atitudes de alguns pais do livro; só quem tem filhos sabe que somos capazes de tudo para defendê-los. Além de prender a atenção, é um livro que faz pensar muito...E quando a gente acha que terminou, tudo solucionado...ainda tem mais revelações..rs..Excelente livro!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Novo livro de John Boyne



Gostei muito do primeiro livro (a fazer sucesso, porque antes desse já havia escrito três livros) de John Boyne, O Menino do Pijama Listrado. Chorei muito, muito mesmo no final. Já o outro - O Garoto no Convés - é bem diferente, mas muito interessante também. Agora, ele lança O Palácio de Inverno (em inglês: The House of Special Purpose). O livro será lançado na Bienal de São Paulo, em agosto, com a presença do escritor. Achei a história bem interessante.

"Em O Palácio de Inverno, que a Companhia das Letras lança no próximo mês, John Boyne usa um expediente ao qual já havia recorrido em O Menino do Pijama Listrado e O Garoto no Convés, os dois romances dele já publicados por aqui - uma história que corre em torno de uma testemunha de grandes fatos históricos que não tem discernimento para avaliar o que vê.

 
Mas, desta vez, Boyne mexeu um pouco na fórmula. Em vez de seguir uma narrativa linear, criou um romance em fragmentos, cuja frase inicial ("Meus pais não foram felizes no casamento") já mostra o distanciamento de alguém com capacidade para julgar o passado. O personagem em torno do qual corre a história é Geórgui Danielovitch Jachmenev, um camponês que, durante a adolescência, na Rússia, tenta impedir o melhor amigo de cometer um crime e se envolver numa enrascada, e, por uma dessas ironias da vida, acaba sendo tomado por herói. O caso é que o homem que seu amigo planejava matar era ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, primo do czar Nicolau Romanov. É o que basta para o adolescente ser cooptado para trabalhar como guarda-costas do filho único do czar - e se apaixonar pela filha dele, Anastasia -, passando a acompanhar de perto os assassinatos e as crises que culminariam na Revolução Russa, em 1917.

Mas é na velhice, enquanto a mulher com quem passou a vida inteira agoniza com um câncer em estágio avançado no hospital, no ano de 1981, que Jachmenev começa a contar essa história. O leitor logo fica sabendo que a maior parte da vida o personagem passou longe de familiares e de sua terra natal. Enquanto a Rússia vivia mudanças turbulentas, mudou-se com a mulher para Paris, e cinco anos depois o casal se instalou na Inglaterra, onde passaria o resto dos dias."

Reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo de 18/07/10

domingo, 18 de julho de 2010

Contos de Fadas - Bonequinhas de Papel

Quem tem mais de trinta anos, provavelmente brincou com bonequinhas de papel...eu brinquei muito!! E adorava, tinha muitas com vários modelos de roupinhas e acessórios...passava horas brincando com minha vizinha de frente. Era muito bom. Então, achei uma graça o trabalho de Denise Brandt . Além de fazer bonecas de papel super modernas, faz contos de fadas, como Alice no País das Maravilhas e Chapeuzinho Vermelho. Fofo demais:


Alice no País das Maravilhas



Chapeuzinho Vermelho





Cartelas impressas em papel cartão de 370 gramas, plastificado. Medida da cartela: 21 x 29 cm.

Cada KIT contém 2 Cartelas com personagens da história para destacar e montar! Não precisa de tesoura

Deve ser super legal ir contando a história para a criança e montando o cenário com os personagens e as bonecas. Essas, mais modernas, também são lindinhas:
 
 
No site da artista tem endereços de venda das bonecas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Saxofonista lança álbuns inspirados por Clarice Lispector


Quem acompanha o meu blog já conhece minha paixão por Clarice Lispector...tudo que leio relacionado a ela me interessa. Achei muito legal essa reportagem que saiu ontem no jornal Folha de São Paulo:

"O saxofonista paulista Ivo Perelman, radicado nos EUA desde 1980, lançou quatro álbuns inspirados nos livros de Clarice Lispector. Ivo é um dos mais respeitados nomes do free jazz - estilo mais experimental da música negra norte-americana.

Cada disco recebeu o título de um livro da autora. Mas a associação explícita com o texto dela fica por aí. "Minha intenção nunca foi fazer uma leitura experimental dos livros. A obra da Clarice surge como um amálgama de onde brotaram os sons", afirma Perelman, que redescobriu a escritora em um evento em Nova York no ano passado. "O melhor é pensar que os discos foram criados em meio a um clima de embriaguez com o texto de Clarice", diz o músico.

A música de Perelman não foi feita para um consumo rápido. Como ocorre com "Água Viva", possivelmente a obra mais abstrata de Lispector, as composições do saxofonista demandam entrega e atenção irrestritas."

Os álbuns foram lançados apenas no exterior (estão à venda no site da Amazon por mais ou menos U$ 18,00) :


The Apple in the Dark - A Maçã no Escuro


The Stream of Life - Um Sopro de Vida

Near to the Wild Heart - Perto do Coração Selvagem


Soulstorm - título em inglês para uma coletânea de contos


Adorei os títulos..também ficam bem poéticos em inglês. Tentei encontrar um site para ouvir estes CDs online mas não consegui. Ouvi outros CDs dele; achei as músicas muito bonitas.

 
Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 15/07/2010.

Novo livro de Dráuzio Varella

Sinopse:

Por meio de narrativas curtas, "A Teoria das Janelas Quebradas" (Companhia das Letras, 2010), livro recente do médico oncologista Drauzio Varella, reúne crônicas publicadas na Folha ao longo de dez anos. O cardápio é variado, incluindo desde histórias engraçadas de adultério, reflexões sobre o crime, temas atuais de ciência e medicina, até questões sociais, sempre abordadas pelo autor com seu olhar atento para os dramas humanos.


Em vários textos, assume uma postura fortemente crítica, ou busca desmitificar ideias falsas, como a de que o pensamento cura ou provoca doenças, ou que precisamos normalmente de suplementos de vitaminas, ou ainda que a dor purifica. Em outros, procura transmitir informações científicas novas, e o faz na linguagem simples que todo médico deveria utilizar ao falar com seus pacientes. E, de repente, surpreende o leitor ao voltar seu olhar comovido para a inesperada presença de tantos sabiás e outros pássaros numa metrópole como São Paulo. Para o dr. Drauzio Varella, a coisa mais importante é a vida, em todas as suas formas.


Gosto muito do estilo de Dráuzio Varella, já li quase todos os  livros que ele escreveu; também gostava muito de assisti-lo no Fantástico (ainda tem os quadros dele?? Nunca mais vi...). Achei muito interessante o título, não sabia o que significava e fiz uma pesquisa. Eis o que é "A Teoria das Janelas Quebradas":  Uma tese, defendida pela primeira vez em 1982 por dois criminologistas da Universidade de Harvard, James Wilson e George Kelling. Segundo ela, a presença de lixo nas ruas e de grafite sujo nas paredes provoca mais desordem, induz ao vandalismo e aos pequenos crimes. De acordo com os autores, caso se quebre uma janela de um edifício e não haja imediato conserto, logo todas as outras serão quebradas. Algo semelhante ocorre com a delinqüencia.

Com base nessas ideias, a cidade de Nova York iniciou, nos anos 1990, uma campanha para remover os grafites do metrô, que resultou numa diminuição dos crimes realizados em suas dependências. O sucesso da iniciativa serviu de base para a política de "tolerância zero" posta em prática a seguir.



Simplificando: "resolver os problemas enquanto ainda são pequenos."


Clique aqui para ler um dos textos - Vida de Ladrão.

O livro estará à venda a partir do dia 20/07, mas já dá para reservá-lo na Livraria da Folha .

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um marcador de livros muito útil




Muito legal essa invenção: um marcador-lâmpada criado pela designer Valentina Trimani . Sem fio, recarregável, com brilho ajustável, fino como a página de um livro. Eu quero! Muito mais bonito do que minha mini-luminária Made in China...rs




PS: Depois que li uns comentários no blog da moça, fiquei na dúvida se isso existe mesmo ou é só um protótipo...mas que é muito legal, isso é...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

À Primeira Vista - Nicholas Sparks



Sinopse:

Existem  poucas coisas que Jeremy March tinha  certeza que nunca faria: nunca deixaria a cidade de  Nova Iorque,  nunca se apaixonaria depois de mal ter sobrevivido a um casamento falido, e nunca seria pai. Agora, Jeremy está morando em uma cidade minúscula na Carolina do Norte, Boone Creek, noivo de Lexie Darnell, o amor de sua vida e começando uma família. Mas justo quando sua  vida parece estar se estabilizando, começa a receber e-mails que desencadeiam  eventos que irão mudar o curso da relação deste jovem casal. Até que ponto conhecemos a nós próprios e àqueles que amamos?? Como lidar com as dúvidas inevitáveis, medos sobre a paternidade, e obstáculos que às vezes são colocados no nosso caminho?

Continuando a história do jovem casal introduzido por Sparks no best-seller "O Milagre", esse romance capta todas as mágoas, a tensão, romance e surpresas de um início de casamento. Um conto assombroso sobre o amor entre um homem e uma mulher, e entre um pai e uma criança, À Primeira Vista é sobre fins que  trazem novos começos. . . tragédias que levam a alegria inesperada. . . e, acima de tudo, a magia do amor eterno.

Comecei a ler esse livro e depois de umas páginas achei que já conhecia a história...daí percebi que era a continuação do livro "O Milagre". Sem ter lido esse primeiro, fica difícil entender "À Primeira Vista." E Nicholas Sparks mais uma vez nos emociona com uma história sobre amar, se entregar e realmente confiar na pessoa amada.

Eu havia lido "O Milagre" há um tempo atrás e não tinha me entusiamado muito, porque tem um lance meio "sobrenatural"...tudo se torna mais interessante do meio para o final. Acho que se o autor tivesse juntado as duas histórias, teria ficado melhor, porque a continuação é bem curtinha e bem mais emocionante. E, para não sair muito do estilo "Nicholas Sparks", com uma triste surpresa no final...vou confessar: nesse livro, chorei lendo o final.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Lançamento: 90 Clássicos para Apressadinhos - Henrik Lange



Um livro sobre os melhores livros já escritos. Clássicos da literatura que você precisa conhecer. E, se você ainda não conhece, essa é sua chance de ler todos eles de uma vez. Mas, se já leu, pode lê-los de novo e testar sua memória. Em quatro quadrinhos, você saberá toda a trama de cada título e poderá ler 90 livros em algumas horas. Ótimo para apressadinhos e para qualquer um que ame os livros.
 
O Retrato de Dorian Gray, O Mestre e a Margarida, Em Busca do Tempo Perdido, O Apanhador do Campo de Centeio, A Morte do Caixeiro Viajante, O Senhor dos Anéis, O Processo, A Bíblia e até o brasileiro O Alquimista são apenas alguns dos clássicos da literatura universal que Henrik Lange disseca com seu estilo curto e grosso - e muito bem-humorado - em apenas quatro quadrinhos que resumem toda a história.

A versão brasileira ficou por conta do quadrinista, cartunista e escritor Otacílio d´Assunção, o Ota, mais conhecido por sua longa passagem pela revista Mad brasileira, onde ficou por mais de 30 anos.

Alguns quadrinhos:
 










 
Adorei!! Muito divertido...como um livro de humor, acho que vale a pena. Mais um para minha interminável lista de desejos..

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Arte com livros

"Julgando arte por sua capa."

Achei lindo esse trabalho que o artista americano Mike Stilkey faz com livros. É claro que eu jamais deixaria que ele fizesse isso com os meus...rs...mas com livros velhos, que ninguém usa mais...isso é que é reciclar!





Amei esse!







Bem legal esse também.




Mike trabalhando


Resultado do Sorteio "A Mão Esquerda de Deus"- Parte 3

Então...é a terceira vez que faço esse sorteio porque as outras duas ganhadoras não se manifestaram...e será que vai dar certo dessa vez?? Bom, o número dessa vez foi:



E quem ganhou dessa vez foi:

Elizabeth Dias - Lizzie Dias. Parabéns!! Já te enviei o e-mail; aguardo resposta.

sábado, 10 de julho de 2010

Concurso Cultural VEJA Meus Livros


Concurso vai premiar resenhas com livros, filmes e um Kindle
(Retirado do Site da revista Veja)
Os usuários do aplicativo VEJA Meus Livros, presente no Orkut e no Facebook, poderão concorrer a um leitor digital Kindle, além de livros e filmes. Os prêmios fazem parte do concurso cultural “Resenhando no blog Meus Livros”, que vai escolher as melhores resenhas feitas por usuários do aplicativo.


Para participar, basta escolher um dos livros selecionados para o concurso, escrever uma resenha sobre ele em VEJA Meus Livros e enviar uma cópia para o e-mail vejameuslivros@abril.com.br. São seis os títulos que podem ser resenhados: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez; Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago; O Código Da Vinci, de Dan Brown; Eclipse – Amanhecer, de Stephenie Meyer; A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak; e O Albatroz Azul, de João Ubaldo Ribeiro.

Os melhores textos serão submetidos a voto popular no blog VEJA Meus Livros e, em seguida, a uma junta de especialistas, que definirá os quatro premiados. As inscrições vão de 9 de julho a 9 de agosto.

O concurso cultural tem apoio da Flip – a Festa Literária Internacional de Paraty – e da Livraria Cultura, também apoiadora do aplicativo VEJA Meus Livros.



Achei bem interessante esse concurso...confesso que instalei esse aplicativo no Orkut mas quase nunca usei. Acostumei com  o Skoob mesmo. Já li alguns desses livros da lista, vou tentar fazer uma resenha bem caprichada.

Lembrete: a segunda ganhadora do livro "A Mão Esquerda de Deus também não se manifestou. Amanhã farei outro sorteio.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Retorno - Victoria Hislop


Quando o passado retorna ao presente, o futuro se torna ainda mais imprevisível. E, nesse livro, redentor.

Sinopse

Sonia Cameron está na Espanha, em férias, para comemorar o aniversário de 35 anos da melhor amiga com aulas de flamenco. Sua intenção é apenas dançar e se divertir. Em Londres, deixou a aridez e as exigências do cotidiano e um casamento em crise. Em um café sossegado de Granada, contudo, uma conversa casual com o proprietário e uma intrigante coleção de fotografias antigas a atraem para a história extraordinária da Guerra Civil Espanhola e da vida de personagens locais encantadores e marcantes, como toureiros, dançarinas, músicos e o poeta García Lorca. Setenta anos antes, o café era o lar dos Ramírez, família que em 1936, presencia as piores atrocidades do golpe militar liderado pelo general Francisco Franco, e vivencia o despedaçar do frágil equilíbrio do país. Divididos pela política e pela tragédia, todos escolhem um lado e travam uma batalha pessoal à medida que a Espanha se dilacera. O Retorno é uma cativante e complexa lição sobre perdas e lealdade, narrada em um contexto histórico fascinante e muito bem-construído. Encantador e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador quanto sua obra de estreia, o best-seller internacional A ilha.

Gosto muito de descobrir livros que não são muito "famosos"...esse eu vi a propaganda em um jornal e a chamada atraiu minha atenção. Quando li a sinopse fiquei mais interessada ainda. E não me decepcionei com a leitura, é uma linda história. Demora um pouquinho para engrenar, mas quando engrena...somos transportados para a Espanha das dançarinas de flamenco, toureiros e toda atmosfera mágica da cidade de Granada.

É muito interessante a maneira como a vida de Sônia acaba se cruzando com a família Ramirez e as consequências que as descobertas feitas terão sobre sua vida. Quando o atual proprietário do café El Barril, Miguel,  começa a contar sobre os antigos donos, a família Ramirez, a história da  Guerra Civil Espanhola se mistura a vida daquelas pessoas e as transforma terrivelmente. Sônia  fica envergonhada por admitir que não conhecia nada sobre esse período trágico da história espanhola, que deixou cicatrizes nas pessoas e na cidade de Granada. Conhece mais sobre o famoso poeta Federico García Lorca, que viveu na cidade e lá foi assassinado pelo regime de Francisco Franco. Mas envolvente mesmo é a saga da família Ramirez, com o casal Pablo e Concha e seus quatro filhos: Antonio, o mais velho, é o erudito da casa; Ignácio é o altivo, toureiro exímio e orgulhoso; Emílio é quieto, retraído e homossexual; Mercedes, a caçula, uma das melhores dançarinas de flamenco que Granada já viu. A vida de todos eles é afetada e transformada pela guerra, todos sofrerão, alguns lutando ao lado do ditador, outros contra.

O que mais atrai Sônia, é a imensa paixão de Mercedes pela dança, pois foi quando começou a aprender a dançar que as mudanças começaram a ocorrer em seu casamento e dentro dela, principalmente. Não achei o final tão surpreendente; no decorrer da história já dá para descobrir o que irá acontecer. Mas valeu muito a pena, quero muito ler o seu primeiro livro, A Ilha.



Sobre a autora: Victoria Hislop é escritora e jornalista. Escreve artigos sobre viagens para o The Sunday Telegraph, artigos sobre educação para o Daily Telegraph e diversos artigos generalistas para a Woman & Home. Atualmente, vive em Kent com a sua família. Depois de publicar o seu primeiro romance, "A Ilha", Victoria Hislop foi aclamada pela crítica.







Uma poesia para completar o clima espanhol:


As seis cordas - Federico Garcia Lorca


A guitarra

faz soluçar os sonhos.

O soluço das almas

perdidas

foge por sua boca

redonda.

E, assim como a tarântula,

tece uma grande estrela

para caçar suspiros

que bóiam no seu negro

abismo de madeira.




Abaixo, um vídeo sobre o livro, acho que é da edição portuguesa:









quarta-feira, 7 de julho de 2010

Livros lidos - Junho


Esse mês atrasei para postar a lista dos livros lidos...imaginei que com o fim das minhas provas, fim da reforma em casa e fim dos jogos do Brasil na Copa, iria sobrar mais tempo para escrever no blog. Só esqueci do final das aulas da minha filha e consequente início das férias...quem tem criança em casa sabe bem o que é isso..rs...tenho conseguido ler muito, mas não escrever. Logo irei para casa de meus pais e lá ela dará um sossego, brinca com o primo e me esquece...rs. Vamos à lista:

1 - Frenesi Polissilábico - Nick Hornby ;
2 - No Mundo dos Livros - José Mindlin ;
3 - Invenção e Memória - Lygia Fagundes Telles (Desafio Literário);
4 - Os Diários de Carrie - Candace Bushnell ;
5 - A Breve Segunda Vida de Bree Tanner - Stephenie Mayer ;
6 - Um Hotel na Esquina do Tempo - Jamie Ford ;
7 - A Última Música - Nicholas Sparks ;
8 - A Hora da Estrela - Clarice Lispector (Desafio Literário - Livro Reserva);
9 - A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano .

Um bom número, não? Acho que agora em julho consigo ler um pouquinho mais...

E ATENÇÃO!!!

A ganhadora do sorteio do livro "A Mão Esquerda de Deus" ainda não se manifestou!
É o segundo sorteio que faço e a ganhadora não aparece..Jéssica, já enviei e-mail, aguardo até amanhã, senão farei o terceiro sorteio...

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano

"As escolhas são feitas em poucos segundos e se pagam durante todo o resto da vida".

Sinopse


Não é vulgar um livro reunir o consentimento de ambas as partes, mas A Solidão dos Números Primos, o primeiro romance do jovem escritor Paolo Giordano, é consensual: trata-se de uma das mais interessantes estreias literárias dos últimos anos.

Vencedor da 62ª edição do Prémio Strega e com uma menção honrosa na edição de 2008 do Prémio Campiello, dois dos mais prestigiosos galardões da literatura italiana, A Solidão dos Números Primos já vendeu mais de 1.000.000 exemplares e não pára de conquistar leitores em todo o mundo.


A história do livro, tal como o título, é forte e dramática, inquietante e surpreendente. O romance é uma pequena coleção das dores de uma juventude a qual Giordano conhece bem. Ao se concentrar na história de Alice e Mattia, os dois protagonistas, o autor faz também um relato da pequena burguesia italiana em capítulos que vão de 1983 a 2007, período em que evolui cronologicamente a narrativa. Dois acidentes dão a partida à cadência da trama: Alice é uma menina que fora forçada pelo pai a ser uma brilhante atleta. Em um dia de treino, sofre uma queda que a deixará marcada para sempre. Mattia é um pequeno gênio da matemática. A caminho de uma festinha de aniversário, deixa a irmã gêmea, da qual se envergonha, sozinha num banco de praça e nunca mais a vê.


Marcados por suas histórias e um sentimento permanente de inadequação, Alice e Mattia se conhecem na escola e, desde então, ficam cada dia mais unidos. A fixação por belas imagens faz com que Alice torne-se fotógrafa. Mattia tem uma maneira particular de ver o mundo, sempre por teoremas matemáticos – e não por acaso torna-se um brilhante cientista. E é assim, através do olhar aguçado de Alice e das hipóteses lógicas de Mattia, que Giordano conduz a narrativa densa e sensível de seu premiado romance de estreia.



Segundo o autor, os protagonistas “são típicos representantes de uma burguesia abastada, que dá conforto aos filhos, mas os deixa sozinhos”. É de maneira cortante que Giordano dá conta desta solidão – como ao descrever o pai que não se dá ao trabalho de tirar o cinto de segurança para dar um beijo no filho, ao deixá-lo na escola. Ou a família que não percebe a anorexia da filha, disfarçada por uma barreira de copos diante de um prato de refeição intocado.

"Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente. Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos, mas não o bastante para se tocar de verdade."

Esse não é um livro fácil...não que seja ruim de ler, pelo contrário, não dá vontade de largar mais quando começa. Mas é preciso ter estômago forte para lê-lo (literalmente, em uma parte no início do livro). Se você quiser apenas distração, divertimento...não leia esse livro! Leia se quiser um livro que te faça pensar, te envolve com uma história de  personagens que não são perfeitas e sem defeitos. Trata-se do relacionamento entre duas pessoas que sentem que não pertencem ao mundo, mas também mostra o complicado relacionamento entre pais e filhos, a falta de diálogo e as tristes consequências disso.

Muitos se decepcionam com o final do livro (não vou contá-lo), mas para mim, foi perfeito; a história dos dois não poderia acabar de modo diferente.


"Porque ela e Mattia estava unidos por um fio elástico e invisível, encoberto por um monte de coisas sem importância, um fio que podia existir apenas entre pessoas como eles dois que reconhecem a própria solidão, um no outro."



O romance está em fase de adaptação para o cinema, e deve chegar às telas em 2010, em uma coprodução de Mario Gianani e da produtora Les Films des Tournelles, com o apoio da Film Commission Torino Piemonte. O longa-metragem será dirigido por Saverio Costanzo, que adaptou o roteiro com Paolo Giordano. A atriz Alba Rohrwacher foi escalada para viver Alice adulta e o ator Riccardo Scarmarcio, Mattia.

 
 
Sobre o autor:  Paolo Giordano nasceu em Turim em 1982, filho de um ginecologista e de uma professora de Inglês. Tem uma uma irmã, Cecilia, mais velha do que ele três anos. Licenciou-se em Física na Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. Vive em San Mauro. ( E ainda por cima é um gato...rs):



Abaixo, trechos da entrevista feita por telefone à Patricia Oyama, da revista Elle:

Você acha que é melhor escritor do que físico?


Eu me sinto mais confortável escrevendo. Física é muito, muito difícil. Escrever também, mas a Física é realmente muito dura. Algumas vezes, eu fico muito frustrado. É como se eu falhasse com minha contribuição, por não ser tão interessante, o que faz com que me sinta meio deslocado. Na escrita, eu me sinto bem. Não sei se sou melhor escritor do que físico, mas me sinto melhor quando escrevo.

Tem medo da síndrome do segundo livro?

De certo modo, sim. Mas eu quero me divertir escrevendo. Então, não estou pensando em como as reações vão ser, o que vão dizer, não me importo com isso agora. Talvez, se o outro livro for muito mal, vou sofrer, mas, durante o processo de escrita, eu me sinto muito livre em relação a isso tudo. Eu só me sinto um pouco mais responsável a respeito do que escrevo, porque tenho um público agora, e talvez um pouco mais inseguro sobre o que posso e não posso fazer. Mas acho que vai ser mais divertido do que escrever o primeiro.

Já começou a escrever seu segundo livro?

Tenho algumas idéias. Muitas, muitas notas. Elas estão uma bagunça, nem sei mais onde elas estão. Tenho que ver como combinar todas elas. Por enquanto, são só idéias vindo na minha cabeça.

Você se vê como um número primo?

Eu costumava pensar desse jeito quando era mais novo, mas acho que todo adolescente acha isso. Faz parte do processo de crescimento achar que você é muito especial, que tem um jeito muito peculiar de ver as coisas. Mas se você se abre um pouco, descobre que isso não é verdade. Você precisa achar um meio de se comunicar, de compartilhar as coisas.