terça-feira, 6 de julho de 2010

A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano

"As escolhas são feitas em poucos segundos e se pagam durante todo o resto da vida".

Sinopse


Não é vulgar um livro reunir o consentimento de ambas as partes, mas A Solidão dos Números Primos, o primeiro romance do jovem escritor Paolo Giordano, é consensual: trata-se de uma das mais interessantes estreias literárias dos últimos anos.

Vencedor da 62ª edição do Prémio Strega e com uma menção honrosa na edição de 2008 do Prémio Campiello, dois dos mais prestigiosos galardões da literatura italiana, A Solidão dos Números Primos já vendeu mais de 1.000.000 exemplares e não pára de conquistar leitores em todo o mundo.


A história do livro, tal como o título, é forte e dramática, inquietante e surpreendente. O romance é uma pequena coleção das dores de uma juventude a qual Giordano conhece bem. Ao se concentrar na história de Alice e Mattia, os dois protagonistas, o autor faz também um relato da pequena burguesia italiana em capítulos que vão de 1983 a 2007, período em que evolui cronologicamente a narrativa. Dois acidentes dão a partida à cadência da trama: Alice é uma menina que fora forçada pelo pai a ser uma brilhante atleta. Em um dia de treino, sofre uma queda que a deixará marcada para sempre. Mattia é um pequeno gênio da matemática. A caminho de uma festinha de aniversário, deixa a irmã gêmea, da qual se envergonha, sozinha num banco de praça e nunca mais a vê.


Marcados por suas histórias e um sentimento permanente de inadequação, Alice e Mattia se conhecem na escola e, desde então, ficam cada dia mais unidos. A fixação por belas imagens faz com que Alice torne-se fotógrafa. Mattia tem uma maneira particular de ver o mundo, sempre por teoremas matemáticos – e não por acaso torna-se um brilhante cientista. E é assim, através do olhar aguçado de Alice e das hipóteses lógicas de Mattia, que Giordano conduz a narrativa densa e sensível de seu premiado romance de estreia.



Segundo o autor, os protagonistas “são típicos representantes de uma burguesia abastada, que dá conforto aos filhos, mas os deixa sozinhos”. É de maneira cortante que Giordano dá conta desta solidão – como ao descrever o pai que não se dá ao trabalho de tirar o cinto de segurança para dar um beijo no filho, ao deixá-lo na escola. Ou a família que não percebe a anorexia da filha, disfarçada por uma barreira de copos diante de um prato de refeição intocado.

"Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente. Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos, mas não o bastante para se tocar de verdade."

Esse não é um livro fácil...não que seja ruim de ler, pelo contrário, não dá vontade de largar mais quando começa. Mas é preciso ter estômago forte para lê-lo (literalmente, em uma parte no início do livro). Se você quiser apenas distração, divertimento...não leia esse livro! Leia se quiser um livro que te faça pensar, te envolve com uma história de  personagens que não são perfeitas e sem defeitos. Trata-se do relacionamento entre duas pessoas que sentem que não pertencem ao mundo, mas também mostra o complicado relacionamento entre pais e filhos, a falta de diálogo e as tristes consequências disso.

Muitos se decepcionam com o final do livro (não vou contá-lo), mas para mim, foi perfeito; a história dos dois não poderia acabar de modo diferente.


"Porque ela e Mattia estava unidos por um fio elástico e invisível, encoberto por um monte de coisas sem importância, um fio que podia existir apenas entre pessoas como eles dois que reconhecem a própria solidão, um no outro."



O romance está em fase de adaptação para o cinema, e deve chegar às telas em 2010, em uma coprodução de Mario Gianani e da produtora Les Films des Tournelles, com o apoio da Film Commission Torino Piemonte. O longa-metragem será dirigido por Saverio Costanzo, que adaptou o roteiro com Paolo Giordano. A atriz Alba Rohrwacher foi escalada para viver Alice adulta e o ator Riccardo Scarmarcio, Mattia.

 
 
Sobre o autor:  Paolo Giordano nasceu em Turim em 1982, filho de um ginecologista e de uma professora de Inglês. Tem uma uma irmã, Cecilia, mais velha do que ele três anos. Licenciou-se em Física na Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. Vive em San Mauro. ( E ainda por cima é um gato...rs):



Abaixo, trechos da entrevista feita por telefone à Patricia Oyama, da revista Elle:

Você acha que é melhor escritor do que físico?


Eu me sinto mais confortável escrevendo. Física é muito, muito difícil. Escrever também, mas a Física é realmente muito dura. Algumas vezes, eu fico muito frustrado. É como se eu falhasse com minha contribuição, por não ser tão interessante, o que faz com que me sinta meio deslocado. Na escrita, eu me sinto bem. Não sei se sou melhor escritor do que físico, mas me sinto melhor quando escrevo.

Tem medo da síndrome do segundo livro?

De certo modo, sim. Mas eu quero me divertir escrevendo. Então, não estou pensando em como as reações vão ser, o que vão dizer, não me importo com isso agora. Talvez, se o outro livro for muito mal, vou sofrer, mas, durante o processo de escrita, eu me sinto muito livre em relação a isso tudo. Eu só me sinto um pouco mais responsável a respeito do que escrevo, porque tenho um público agora, e talvez um pouco mais inseguro sobre o que posso e não posso fazer. Mas acho que vai ser mais divertido do que escrever o primeiro.

Já começou a escrever seu segundo livro?

Tenho algumas idéias. Muitas, muitas notas. Elas estão uma bagunça, nem sei mais onde elas estão. Tenho que ver como combinar todas elas. Por enquanto, são só idéias vindo na minha cabeça.

Você se vê como um número primo?

Eu costumava pensar desse jeito quando era mais novo, mas acho que todo adolescente acha isso. Faz parte do processo de crescimento achar que você é muito especial, que tem um jeito muito peculiar de ver as coisas. Mas se você se abre um pouco, descobre que isso não é verdade. Você precisa achar um meio de se comunicar, de compartilhar as coisas.

13 comentários:

  1. O autor é um gatinho, hein? hrehoeihoeh :X
    O livro parece ser beeem interessante! :)
    :***

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  2. Sou fã deste seu blogue, de onde, aliás, já pedi emprestado um post.
    Adorei a 1.ª obra do Paolo Giordano, gostei da apreciação feita (concordo com tudo) e não conhecia a entrevista. Obrigado!
    Horácio

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  3. Complementando o comentário que enviei há pouco, envio uma outra informação: em 17 de Março de 2010, publiquei, no meu blog (diferentessomostodosnos.blogspot.com), um post sobre a 1.ª obra de Paolo Giordano.
    O que publiquei foi um acicate de leitura. O que publicou foi uma análise de que gostei.
    Horácio

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  4. O autor é um gato, hein? haha! Achei a estória bastante interessante. Nunca tinha sequer ouvido falar e já entrou pra minha lista! Às vezes tbm é bom ler algo que te faça refletir.
    Beijo! :*

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  5. Ainda não li este autor e gostei da resenha. Tá na lista. O problema é que a lista tá super longa, o filme deve sair antes de eu chegar a ler.

    abraço

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  6. Adorei a resenha! Deve ser super bom! Adoro livros profundos... vai entrar para a minha lista de desejados. Bjs

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  7. Nossa!!! Depois dessa resenha espetacular, estou com vergonha da minha. Lia, sua resenha ficou simplesmente completa.

    Acabei de postar lá no blog a resenha. Rsrs!

    Bjjjs. =D

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  8. Oi, Horacio
    Obrigada pelos elogios, que bom que gostou da resenha.

    Oi, Rê
    É um gato mesmo, né? E além disso, é talentoso e inteligente...

    Oi, Vanessa
    Sei o que é isso..minha lista já tem quilômetros...rs

    Oi, Angélica
    Vale a pena, é um livro que faz pensar...

    Oi, Dominique
    Obrigada pelo elogio; vou ler a sua, não deve estar ruim não...rs..bjs

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  9. Oi, Lia!

    Eu pensei em comprar esse livro no original, porque queria alguma coisa em italiano pra me estimular a estudar. Mas pela capa e sinopse deu pra perceber que não seria fácil, então achei melhor ler em português e comprei um chick-lit que é mais fácil.

    Agora já não tenho certeza se quero ler, mesmo em português. Eu não tenho estômago forte. Pelo contrário, ele literalmente reage mal com algumas coisas que leio (como em Querido John, que em vez de chorar eu senti dor de estômago).

    Eu ia comentar mesmo que achei o autor um gato. Tenho um fraco por italianos, o que esses homens têm que são tão charmosos??? Será que ele é solteiro? Porque, veja bem, 4 anos mais velho do que eu, italiano, formado em física (quase prestei vestibular pra física) e gosta de escrever (meu sonho de criança era ser escritora). O cara é perfeito pra mim! Hahahahah.

    Beijos

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  10. Oi, Cintia
    Apesar de uma parte ser bem forte, vale a pena ler, pelo resto da história...mas se não for seu estilo, normal...
    Agora, o autor é mesmo um partidão..rs..não sei se é comprometido ou não. Bjs

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  11. Este eu li recentemente mas ainda não comentei no blog. Ou se comentei, já esqueci!!! Minha memória é péssima e como você, eu leio muito (mas tenho fases).

    Li há pouco One Day de David Nichols. E The Memory Keepers´ Daughter. E gostei muito de The Petty Details of so and so´s Life de Camilla Gibb. Essa autora é ótima, eu recomendo! Já tinha lido o début dela: Mouthing the Words.

    Agora comecei a ler The Post-Birthday World, de Lionel Shriver, muito bom...Ela é autora de Let´s Talk About Kevin, que comentei no blog.

    beijos e vamos trocar mais figurinhas :-)

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  12. Oi, Beth
    De todos os que vc citou, eu só ouvi falar dos últimos dois, apesar de ainda não ter lido-os. O que vc está achando d' O Mundo pós aniversário?

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  13. li o livro e amei, nos mostra que verdadeiros amores nem sempre acontecem.

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