segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Primeira Luz da Manhã - Thrity Umrigar


Sinopse: "A Primeira Luz da Manhã é a autobiografia da bem sucedida escritora Thrity Umrigar, que abrange o período de sua infância e adolescência em Bombaim, até a partida para os Estados Unidos, aos 29 anos. É um relato de lembranças, carregado de emoção, da vida de uma jovem imersa em paradoxos: uma menina  parse de classe média que vai a uma escola católica em uma cidade predominantemente hindu; de uma estranha cheia de culpa em sua própria terra; de uma criança rica em um país mergulhado em profunda pobreza. A autora revela segredos íntimos e lança um olhar preciso sobre questões familiares antes consideradas um tabu. Ela narra a difícil relação com os pais, as agruras da vida escolar e o amadurecimento em meio às turbulências da Índia. Mas descreve também as delícias do refúgio nos livros e nas músicas que vinham do outro lado do mundo, com mensagens de paz, amor e esperança."

Gosto muito dos livros dessa escritora, já li todos: A Distância entre Nós, A Doçura do Mundo, Um Lugar para Todos e O Tamanho do Céu. Este último foi o que menos gostei, achei a história pesada demais. Ela sempre escreve sobre  diferenças de classes, desigualdade entre os sexos, papel da família, busca de um lar e da sensação de fazer parte de um grupo e também sobre a procura do amor.

A sua biografia não é muito diferente dos livros que costuma escrever...aliás, podemos reconhecer muitos dos personagens dos livros nas pessoas que passaram por sua vida; seja a tia solteira que a cria como filha, a empregada de casta diferente que Thrity trata como igual  e muitos outros de sua família. A menina Thrity é uma criança como todas deveriam ser: curiosa, atrevida, questionadora, polêmica. Por seus constantes questionamentos, entra sempre em conflito com pais, professores, parentes. Entra em choque ao tomar um contato mais profundo com a extrema pobreza de seu país; quando é pequena, sempre sonha poder alimentar todas as crianças famintas:

"Invariavelmente acordo desses sonhos com uma curiosa sensação de euforia porque acredito ter encontrado a solução do problema mais incurável da Índia - a pobreza. Todos os meus livros de educação cívica começam com a frase: 'A Índia é um país rico com habitantes pobres.' Ora, não precisa mais ser assim. Basta juntar toda noite em algum lugar a população da rua e alimentá-las com leite, sanduíches de frango e Coca-Cola. Não entendo por que os adultos não fazem senão balançar a cabeça com desânimo e declarar que sempre haverá pobres."

E assim vai descrevendo sua infância, sua adolescência e as descobertas do mundo da leitura, da música (rock), a militância política:

"Todas as coisas que eu achava que me salvariam - a música, os livros, a política - me fizeram companhia durante algum tempo, mas, no final das contas, eu precisava voltar e encarar a mim mesma."

 O que acho legal nela é que nunca despreza suas origens:

"Isso, porém, é o que significa ser uma nativa de Bombaim, explico a mim mesma - pegar os lados contraditórios da própria vida e transformá-los num único todo; saber que se é um mestiço cultural, o filho bastardo da História, e aprender a considerar o fato interessante e até mesmo digno de orgulho."

Apesar de ter um relacionamento muito difícil com sua mãe, ama sua família acima de tudo e sofre quando decide ir para os Estados Unidos terminar sua educação. A despedida no aeroporto é um dos capítulos mais emocionantes do livro: "Tudo o que eu preciso fazer agora é encontrar forças para me afastar desse grupo de pessoas cujo amor é a única coisa que tenho certeza na vida. Escolhi esse caminho, criei-o do nada, usando apenas a imaginação. Agora chegou a hora de trilhá-lo."

 
Achei ruim apenas o livro terminar bem na parte da mudança para os Estados Unidos. Fica a vontade de saber o que aconteceu depois, como foi sua vida até começar a escrever. Quem sabe não vem uma segunda parte das memórias um dia?

Ah, o título do livro é como o tio favorito dela a chamava: "Você é a minha primeira luz da manhã."

Sobre a autora: Thrity Umrigar é jornalista há quase vinte anos e escreve para o Washington Post, o Plain Dealer, o Boston Globe, além de outros jornais locais. Ph.D. em inglês, leciona redação criativa e literatura na Case Western Reserve University. Atualmente mora em Cleveland, Ohio.


Título em Inglês: First Darling of the Morning: Selected Memories of an Indian Childhood
Ano da publicação na Índia: 2004
Site da escritora: http://www.umrigar.com/

6 comentários:

  1. Oiê!
    Aii...eu não sou fã de biografias. Não consigo gostar. Esse eu passo.
    Bjs

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  2. Oi, Hérida
    Já eu adoro..gosto muito de saber da vida dos outros..rs..bjs

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  3. Oi Lia! Estou com vontade de ler esse livro, mas acho que ele é um pouco parecido com "o caçador de pipas". Não que não tenha gostado, apenas achei forte!
    Bjo

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  4. Essa autora é fantástica, também li todos seus livros e adoro a forma como ela escreve. Sempre fiquei curiosa sobre a autora, que escreve livros são tao intensos e sabe muito bem contar uma história, e agora vejo que ela escreveu sua biografia. Amei, vou ler assim q encontrar.

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  5. Oi Lia, tudo bem? Sou jornalista em Londrina, no PR, e ontem mesmo encomendei este livro. Não conhecia o seu blog e achei bem interessante. Passei um mês na Índia, no final de 2004 para 2005, bem quando aconteceu o Tsunami, e é difícil resumir o que é aquele país: fascinante, intrigante, complexo e desafiador, no mínimo. Mas a gente, inevitavelmente acaba se apaixonando pelos indianos, principalmente as crianças, quem uma pureza de olhar intrigante. Aqui em Londrina está sendo formado um grupo de leitores apaixonados que irão se reunir uma vez por mês para debater sobre o mesmo livro escolhido em conjunto por eles mesmos. Acho que se morasse aqui adoraria participar... Um abraço, Ana Paula.

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  6. Estou lendo esse livro nesse momento... Gostei do prefácio, onde ela compara o Brasil a Ìndia, depois de fazer uma visita ao nosso país...

    Gostei de O tamanho do céu, embora como você disse seja uma história muito forte...

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