quarta-feira, 14 de abril de 2010

Memorial do Convento - José Saramago


Este foi o culpado do atraso de todas as minhas leituras, inclusive as do Desafio Literário, que comecei hoje.
Tive que ler três livros para a faculdade: "Amor de Perdição" - Camilo Castelo Branco, "Primo Basílio" - Eça de Queirós e esse do Saramago. Apesar da dificuldade de ler Amor de Perdição,  por causa da linguagem, e do Primo Basílio por conta das longuísssimas descrições, foi esse que me deu o trabalho maior. Que livro difícil de ler! Até agora, tinha tido duas experiências com os livros de Saramago: uma ruim (comecei a ler Intermitências da Morte mas parei) e uma ótima (adorei Ensaio sobre a Cegueira). Pois bem, a terceira foi péssima.

Tenho até um pouco de medo de falar que não gostei de um livro de autor do porte dele, pois lá no Skoob alguém deixou um recado dizendo como eu tive a ousadia (ou audácia ou coragem, sei lá) de abandonar um Saramago!!! Não sei se é impressão minha, mas parece que agora ficou politicamente incorreto admitir que não gostamos de um livro famoso. E os fãs desses livros defendem-no com uma paixão um tanto quanto desproporcional. Depois desse pequeno desabafo, vamos a sinopse do livro:

"(...) A pretexto de escrever um livro sobre a história da construção de um convento em Mafra no século XVIII, Saramago inventou uma história outra, na qual entram outras famílias inesquecíveis a dos Sete-Sóis e a da Sete-Luas, e mais padre Bartolomeu de Gusmão com sua passarola, e o compositor Scarlatti com seu órgão e sua música, e mais reis e rainhas e princesas, e mais uma pedra descomunal que precisa ser transportada a longa distância, e o que acontece durante o transporte. Que pretende - e que consegue - José Saramago com seus livros poderosos? Para mim, isto: fazer o que fez Homero antes dele, isto é, escrever histórias aparentemente reais mas inventadas com tanta competência que depois de lidas passam a ser reais e a fazer parte da longa e sofrida experiência humana. Minha sugestão é: descubram José Saramago e façam dele uma possessão ultramarina particular de cada um e aproveitem." - José J. Veiga

Admito que a história de amor entre Baltazar e Blimunda é muito bonita, e que Saramago é muito criativo ao inventar as histórias paralelas entremeadas a um fato real (construção do convento). Mas continuo achando difícil ler devido ao seu estilo, com pontuação estranha em que os diálogos não são marcados por aspas ou travessões, e sim por letras maiúsculas. Há também a fluência narrativa, a narrativa flui sem fôlego, como um jorro.

O autor é bom, o livro pode ser bom, mas não gostei. (Pronto,falei)

16 comentários:

  1. Lia, legal ser sincera assim! uns dias atras começei a ler um dele, acho que o ensaio sobre a lucidez e tbm nao desceu! e olha que o memorial eu amei de paixão, foi o livro dele que li mais rapido, não conseguia me desgrudar da história... sabe, as vezes acho que é momento sabe? bjoo

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  2. Não tenha receio em dizer que não curtiu Saramago! Quem diz que leu, entendeu e curtiu de primeira está mentindo. Sério. É um autor difícil de se assimilar, o começo da leitura é sempre turbulento. Essa obra nunca li, mas conheço Ensaio Sobre a Cegueira, que gosto muito, e já comecei a ler As Intermitências da Morte, eu estava adorando, mas tive que interromper porque era um livro que tinha sido esquecido aqui em casa, ms logo foi devolvido a seu dono, e eu nunca mais atinei para lê-lo.
    Gostei daqui.
    Beijos

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  3. Lia,

    Eu li o Ensaios sobre a Cegueira que adorei, mas nao tem como nao admitir que a linguagem dele e a maneira que escreve sem pontuaçao é muito dificil. Sem duvida ele é um escritor muito particular, que tem uma maneira unica de escrever, mas ainda que suas històrias sejam boas é ele escreve livros para serem lidos com muita calma, né?

    Quero ler outro livro de Saramago, mas sò farei quando estiver bem inspirada para a leitura...rs

    Adoro suas sinopses!

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  4. Oi, Julia
    Talvez seja o momento mesmo, ter a obrigação de ler e com prazo ainda faz a leitura ser uma tortura..rs..bjs

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  5. Oi, Anna
    Obrigada pelo elogio...vc tem razão, não é uma leitura fácil mesmo...eu tb ainda vou voltar a ler Intermitências da Morte, qdo tiver mais tempo e paciência...bjs

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  6. Oi, Érica
    É verdade, tem que ler com calma, o que não aconteceu dessa vez comigo...por isso um dia vou tentar ler esse livro outra vez. Obrigada pelos elogios..bjs

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  7. Ei Lia,

    Eu confesso que nunca li nada do autor, vivo dizendo que vou ler mais ainda não consegui. Acho super legal você expressar sua opinião sincera sobre a obra :)

    O primo basílio e Um amor de perdição eu gostei bastante, e olha que li séculos atrás na época de escola. Até procurei o amor de salvação e li tbm rs

    bjooo

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  8. Oi, Nanda
    Eu até gosto de Eça de Queirós, já o Amor de Perdição reli por obrigação mesmo...

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  9. qdo deixei o recado la de cima esqueci de te dizer que curti muito o primo basílio, mas que a obra que eu acho que ele foi "inspirado", que é madame bovary, do flaubert, é sensacional, um dos melhores livros que ja li na minha vida, caso vc ainda nao tenha lido, recomendo que qdo vc tiver um tempinho, leia... é fabuloso!! bjoo

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  10. Uai... Então agora nós somos obrigados a gostar de todos os livros famosos? Cadê o livre arbítrio? Aff!
    Nunca li nenhum livro do Saramago. Até hoje ainda não me atraíram. (E nem ligo se alguém não gostar da minha opinião!).

    Beijos

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  11. Nunca li Saramago, mas tenho o maior respeito pelo autor. Já li António Lobo Antunes, conterrâneo e com uma escrita tão densa quanto dizem ser a de Saramago. E adorei os dois livro que li: Explicação dos Pássaros e Os Cus de Judas.

    Mas só porque uma penca de críticos pontua um livro como divino por conta da forma diferente em que ele seja escrito, não significa que todos tem que apreciar essa diferença, esse conceito. Ler parágrafos intermináveis, com muitas vírgulas e, em certos casos, num português diferente não uma coisa das mais agradáveis. Mas tem que goste (eu).

    Só que não acho certo desmerecer aqueles que não gosto. Preferência é preferência, e tem livros que, quando não se consegue pegar o ritmo, não vão ser bons de ler e pronto.

    Melhor dizer que não gostou do que ficar babando ovo em cima de um livro só porque os "entendidos" dizem que é bom. Porque certamente o número daqueles que dizem ter entendido e gostado da obra foram levados pela exaltação do autor, número maior do que aqueles que realmente pensam isso.

    Saramago é um autor com opiniões diretas, de um gênio incrível, mas isso não faz com que o gosto pelos seus livro sejam universais. Não é certo.

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  12. oi Lia!

    Eu também não consegui ler este livro, comprei na maior empolgação anos atrás, mas nunca fui além de umas 20 páginas. Até que este ano coloquei ele no Trocando Livros.

    Comecei a ler Saramago também na Letras,por obrigação, com Todos os Nomes. O início é difícil, a leitura é demorada, mas li ele todo e gostei bastante. Ensaio sobre a Cegueira eu amei (mas demorei meses, a leitura é muito lenta também, algumas partes são muito chocantes, é preciso dar um tempo).

    Também coloquei lá no Skoob que abandonei o Memorial, mas não recebi nenhum recado me criticando(ainda... hehe).

    Tenho aqui em casa A historia do Cerco de Lisboa, um dia vou ler, e espero gostar.

    Enfim, há histórias que nos tocam e outras que não, por mais famoso que sejam o livro ou o autor.

    bjs

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  13. Encontrei teu blog por acaso e adorei!Voltarei mais vezes com certeza!

    Meu primeiro livro de Saramago foi o Ensaio sobre a Cegueira e realmente não é fácil ler Saramago sem uns tropeços. Mas aprendi a decifrar o estilo de escrita dele e AMO o Memorial do Convento... É um dos mais interessantes na minha opinião...

    Li "As Intermitências" com muita dificuldade no início, tive que recomeçar umas três vezes pra recuperar o fio da história, mas depois fluiu de forma perfeita.
    Vale a pena você retomar a leitura...

    O que mais gosto em Saramago é a intensidade com que ele descreve a alma humana... Só por isso já vale.

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  14. eu nao acho complicado o sistema de pontuação( se voce perceber no inicio de cada fala começa com letra maiuscula). eu achei mais dificil foi as viagens filosoficas do autor e as descriçoes de rituais catolicos(eu nao sei nada sobre!)

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  15. A maneira "sem pontuação" é um pouquinho da técnica do fluxo de consciência, criada por James Joyce e muito utilizada por Virginia Woolf e Clarice Lispector. Quando se permite "mergulhar" nesse estilo, a leitura ganha uma sustentação incrível, pois a intenção é estar na mente de cada personagem. Eu gosto do estilo de Saramago, terminei Memorial do Convento no mês passado e estou muito interessada em ler toda a obra dele. Mas gosto é gosto, não tem jeito... eu, por exemplo, detestei Leite Derramado, do Chico Buarque, mas o livro ganhou prêmios literários importantes e tudo mais...rs


    Um beijo

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  16. Oi, Francine
    Eh verdade, as vezes eh so questao de gosto mesmo...eu tb nao gosto de nenhum livro do Chico Buarque..bjs

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