quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Terceira Xícara de Chá - Greg Mortenson



Li esse livro já faz um bom tempo e sempre quis colocar uma resenha dele aqui. Como estou fazendo uns trabalhos para entregar na faculdade como atividades extracurriculares, acabei escrevendo sobre ele, que tem tudo a ver com educação.
Um montanhista inspirado pela trágica morte de sua irmã em 1992, inicia o projeto de escalar o K2 no Paquistão, a segunda montanha mais alta do mundo. Após 78 dias de escalada, o norte-americano Greg Mortenson se encontra exausto, abatido e emocionalmente cansado. Um homem da região se torna amigo do alquebrado homem e o ajuda a se recuperar na aldeia de Korphe, nas encostas do Himalaia. Tocado pela brutal pobreza da região, decide dedicar sua vida estabelecer escolas para meninas em zonas remotas da Ásia Central, principalmente na região paquistanesa e no vizinho Afeganistão. Mesmo sendo um “sem-teto” que dormia em seu carro velho em Berkeley, California, vende tudo o que tinha e começa uma das campanhas humanitárias mais notáveis de nossos dias. E o livro “A terceira xícara de chá” ( Ediouro, 352 páginas), descreve a odisséia de Mortenson perante os dez anos, que construiu escolas na região onde nasceu o Talibã e que serviu de refúgio para a Al-Qaeda. Declarou guerra às raízes do terrorismo – pobreza e ignorância - , fornecendo uma educação equilibrada e não extremista. Mas, por contrariar interesses, foi vítima de sequestro por militares extremistas e recebeu fatwas de mulás enfurecidos, além de ameaças de morte pelos seus compatriotas norte-americanos que o consideravam um traidor, sofreu com a dolorosa separação de sua família, mas em vez de desistir, ganhou a confiança e o respeito líderes islâmicos, comandantes militares, líderes tribais, entre outros.


Desde a realização de sua primeira e difícil promessa, já ergueu 55 escolas que atendem às comunidades do Paquistão e do Afeganistão.

Quando estava se recuperando na aldeia, Greg foi tão bem tratado por aquele povo humilde que resolveu fazer algo por eles. Pensou em usar o último dinheiro que possuía para comprar livros didáticos para serem usados na escola ou qualquer outro material escolar. Quis visitar a escola local. Ficou muito espantado ao ver 82 crianças, 78 meninos e 4 meninas ajoelhados no chão gelado, a céu aberto. Descobriu então que a aldeia não possuía uma escola e que o governo paquitanês não lhes mandara um professor e eles dividiam um professor com a aldeia vizinha alguns dias por semana. Na “escola”, as crianças copiavam a tabuada no chão com gravetos. Algumas tinham uma madeira na qual escreviam com varetas com a ponta umedecida de lama. Isso cortou seu coração; havia neles uma vontade muito grande de aprender apesar de todas as dificuldades.

Greg é tão persistente na sua obstinada campanha de construção das escola que começamos a duvidar que exista alguém no mundo tão apaixonado por uma causa, no caso a educação, ao ponto de colocar seu casamento e até mesmo sua vida em perigo. E, no decorrer do livro, vamos nos convencendo que ele é real e não um super herói de filme de ação americano, pois sofre e tem defeitos como qualquer ser humano “normal” (ele é extremanente desorganizado).

O título do livro vem da seguinte passagem: “Na primeira vez que você toma chá com um balti (povo paquitanês), você é um estranho. Na segunda vez, é um convidado de honra. Na terceira, você já faz parte da família”.



Depois dos atentados terroristas aos Estados Unidos pela Al – Qaeda, o mundo inteiro se perguntava o porquê disso tudo ter acontecido. No filme “Jogos de Poder”, com Tom Hanks e Julia Roberts, que retrata a vida do congressista americano Charles Wilson, que negociou uma aliança entre paquistaneses, egípcios, israelenses e o governo norte-americano, para que os Estados Unidos financiassem uma resistência que impediria o avanço soviético no local. Vencida a luta, em uma reunião com políticos americanos, Wilson cobra dos congressistas ajuda financeira para reconstruir o Afeganistão, construindo escolas. E recebe como resposta: “Não temos mais nada a ver com eles.”

Essa também foi a ideia de Mortenson, combater a pobreza e o terrorismo com educação. Além de luta para construir escolas que fossem diferentes das madrassas, incentivou o estudo feminino, já que as meninas sofrem muito para conseguir estudar nesses países. Criou o Instituto da Ásia Central que possui a missão central de promover educação, principalmente para meninas, em regiões remotas do Afeganistão e Paquistão.


Aprovadíssimo, muito bom mesmo!

PS. Para quem tem deixado comentários com votos de boas provas, muito obrigada. Talvez eu demore um pouco para responder, estou em uma correria só, mas prometo que respondo.


4 comentários:

  1. Oi Lia, a zebra aqui ativou algo na configuração do próprio blog e não consigo publicar os comentários. Estou tentando ... mas recebi por email os seus, obrigada!
    Sobre o livro que vc comentou, fiquei curiosa. Li recentemente o "No ar rarefeito" de Kerouac (não lembro se escrevemos assim mesmo) que conta a história real de uma escalada ao Everest. Meu enteado recentemente fez parte de um grupo de escalada. bjo

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  2. Oi Lia,
    Este livro dever ser excelente ou sua resenha que está fantástica que me emocionei so de ler a resenha.
    bjo
    boas provas :)

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  3. Oi, Adriane
    Eu tb já tive esse problema no blog, sei lá o porquê. Já li esse livro que vc falou, No Ar Rarefeito, é do John Krakauer, mas gosto mais de outro que ele escreveu, Na Natureza Selvagem, uma história real que virou filme dirigido por Sean Penn; é excelente!
    Oi, Carla
    Estou sempre por aqui, as vezes rapidinho, mas não deixo de ler e responder os comentários
    Nanda, o livro é realmente muito bom e emocionante. E obrigada pelos elogios

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Adoro ler comentários...na medida do possível, responderei aqui mesmo