sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Lygia por Lygia

Assisti ao programa da Cultura sobre a vida e obra de Lygia Fagundes Telles e amei. Foi excelente. Quem não viu e tiver acesso a SescTV, poderá assisti-lo no dia 7 de dezembro, às 23 horas. Como já havia dito no outro post, o programa misturou interpretações das atrizes Eva Wilma e Regina Braga, e do ator Luciano Chirolli, com depoimentos inéditos de Lygia Fagundes Telles.
Lygia escreveu seus primeiros contos com apenas oito anos; disse que antes mesmo de ler já inventada histórias e guardava em sua mente. Seu primeiro romance publicado foi "Ciranda de Pedra", em 1954. Tem 86 anos e 28 livros publicados. Cursou faculdade de Direito, Educação Física, serviu ao exército e também atuou no teatro. Sofreu muito preconceito por ser mulher e escritora: "Sou escritora e sou mulher. Ofício e condição humana duplamente difíceis de contornar." Era feminista mesmo sem saber.
Começa a respeitar sua obra a partir do primeiro romance, em 1954: "O resto tudo são juvenilidades que apaguei de minha obra."



Lançou os primeiros livros em livrarias. Em um dos lançamentos entraram três escritores (ela não cita nomes), e um deles disse:" Escuta, Lygia, você é bonita, tem bonitas pernas, então para que esse negócio de escrever? Isso é coisa para homem. Você tem que ser bonita e chega." Chorando, ela respondeu: "Eu acredito que tenho uma função, acredito na minha carreira, que é justamente a minha vocação. Eu fui chamada para escrever."  E no depoimento, acrescenta: " Fui muito agredida, mas foi muito bom, porque nessa agressão eu criei forças."




Que mulher! Imaginei o que deve ter sofrido com o preconceito na época! Era muito linda quando jovem e continua elegantíssima e chic..e que pele maravilhosa!
Gostei muito duas frases:


"No dia em que o Brasil tiver mais escolas, terá menos hospitais e menos cadeias. " Frase escrita na época da faculdade de Direito e que continua válida até hoje.


" Não quero ser compreendida
Quero ser amada
Quero que meu leitor seja meu parceiro e
cúmplice no ato criador
que é ansiedade e sofrimento". Frase dita a um estudante que disse não compreender seus textos.

2 comentários:

  1. Palmas pra ela! Até hoje sofremos preconceitos em algumas profissões. Eu, por exemplo, escolhi uma carreira tipicamente masculina - computação. A maioria dos profissionais é homem e, por isso, às vezes não recebemos a confiança que merecemos. Mas faz parte, né? Mostrar a que viemos e dar o nosso melhor.

    Bjs

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  2. Claro, Cíntia..temos sempre que mostrar que conseguimos fazer tudo e um pouco mais..rs

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